Donald Trump nega a crise climática e desacredita os benefícios das energias limpas perante a ONU.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, Donald Trump mais uma vez questionou a realidade da mudança climática. O presidente dos Estados Unidos dedicou grande parte de sua intervenção a ridicularizar a transição energética e as políticas internacionais contra o aquecimento global.

Diante dos líderes mundiais, ele qualificou a crise climática como um engano e atacou as energias renováveis, chamando-as de “piada”. Também criticou a China e o Reino Unido, afirmando que seus investimentos em energia limpa eram “patéticos” e que deveriam aumentar a produção de petróleo.

O discurso coincidiu com a Semana do Clima em Nova York e ocorreu algumas semanas antes da COP30 no Brasil. A intervenção gerou alarme por vir de um dos países que mais contribuem para as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, evidenciou a falta de compromisso ambiental da atual administração.

As declarações contrastam com os dados disponíveis. A China lidera em capacidade de energias limpas, com mais do triplo de potência eólica do que os Estados Unidos. O Reino Unido, por sua vez, obtém quase um terço de sua eletricidade de fontes eólicas. Enquanto isso, os Estados Unidos retrocedem em seu investimento verde, enfraquecendo seu papel na luta climática global.

Donald Trump nega a crise ambiental.

Política ambiental nos Estados Unidos: retrocessos e desafios

A política ambiental dos Estados Unidos atravessa um período de fortes tensões. Durante a administração de Joe Biden, foram aprovados incentivos fiscais para energias renováveis, impulsionados veículos elétricos e fortalecida a agenda climática nacional. No entanto, com o Congresso nas mãos dos republicanos, grande parte dessas medidas foi enfraquecida.

Trump priorizou a exportação de combustíveis fósseis e reduziu os benefícios para as tecnologias limpas. Isso compromete não apenas os avanços alcançados na redução de emissões, mas também coloca o país em desvantagem em relação às potências que lideram a transição energética.

O virar político afeta tanto a indústria verde como a confiança internacional no compromisso climático dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, gera incerteza entre investidores que buscam estabilidade para apostar em projetos sustentáveis. A oscilação entre políticas opostas conforme a administração de turno reflete uma falta de continuidade que impacta no cumprimento de metas globais.

Donald Trump é processado por danos ambientais no Golfo do México. (Foto: Reuters). Trump, não apenas nega a crise climática, mas também desacredita o papel das energias renováveis. (Foto: Reuters).

Estados que se unem à luta contra a mudança climática

Apesar desses retrocessos, a sociedade civil e vários estados do país continuam promovendo medidas de mitigação. Cidades como Nova York e Califórnia avançam em marcos regulatórios próprios para reduzir emissões e incentivar a transição para energias renováveis. Isso evidencia uma lacuna entre os esforços locais e a estratégia federal.

O desafio imediato para os Estados Unidos é definir se manterá uma política ambiental alinhada com os compromissos internacionais ou se continuará retrocedendo em favor dos combustíveis fósseis. O que está em jogo não é apenas sua liderança na luta climática, mas também o futuro dos ecossistemas globais que dependem de uma ação urgente e sustentada.

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