Representantes do povo waorani e organizações ambientalistas chegaram a Quito para exigir o fim da extração de petróleo no Parque Nacional Yasuní, uma das áreas de maior biodiversidade do planeta.
A mobilização ocorre dois anos após o referendo de 20 de agosto de 2023, no qual 59% dos equatorianos votaram para deixar o petróleo no subsolo.
Um mandato popular que ainda não foi cumprido
A consulta estabeleceu o fechamento de mais de 240 poços em um ano, mas o governo equatoriano afirma que a desativação completa levará cinco anos. De acordo com o cronograma oficial, em 2025 deveriam ser fechados 48 poços, mas ativistas denunciam que apenas 10 foram fechados.
“Não viemos suplicar, viemos exigir respeito pelo nosso território”, declarou Juan Bay, presidente da Nacionalidade Waorani do Equador (NAWE), durante a marcha em frente ao Tribunal Constitucional, onde apresentaram um conjunto de reivindicações para que o fechamento total seja concretizado antes de 2027.

O Yasuní: reserva da biosfera e lar de povos em isolamento
O Parque Nacional Yasuní, declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO em 1989, abriga os povos Tagaeri e Taromenane, que vivem em isolamento voluntário.
A continuidade da extração de petróleo coloca em risco sua sobrevivência, além de afetar gravemente a biodiversidade da região.
Pressão internacional: Human Rights Watch exige acelerar o fechamento
A produção de petróleo viola direitos coletivos e contradiz o resultado do referendo.
A organização Human Rights Watch (HRW) emitiu um comunicado instando o governo equatoriano a parar imediatamente a extração de petróleo no Yasuní.
“Manter a produção ignora o mandato popular e afeta diretamente os direitos dos povos que habitam o parque”, afirmou Richard Pearshouse, diretor de meio ambiente da HRW.
Impacto econômico e ambiental: números que tensionam o debate
Por mais de uma década, o Yasuní gerou 57.000 barris de petróleo por dia, com receitas estimadas em 1.200 milhões de dólares anuais. No primeiro semestre de 2025, a produção diminuiu para 44.000 barris diários, mas as consequências ambientais persistem, segundo denúncias documentadas pela HRW.
A estatal Petroequador foi consultada pela agência Associated Press sobre o andamento do cronograma, mas até o momento não emitiu declarações oficiais.
Um apelo urgente à coerência política e ambiental
A situação do Yasuní reflete uma tensão entre a vontade popular, os interesses econômicos e os direitos territoriais.
A demora no cumprimento da vontade popular evidencia a necessidade de fortalecer a governança ambiental, garantir o respeito aos direitos indígenas e avançar para uma transição energética justa.



