Greenpeace retorna à Suprema Corte para reivindicar a desflorestação em Salta: sua polêmica ordenação de florestas.

A desflorestação em Salta avança e o Greenpeace voltou a protestar contra a província perante a Suprema Corte de Justiça. A organização apresentou-se novamente perante o tribunal máximo para questionar o Ordenamento Territorial de Bosques Nativos (OTBN).

Nesta ocasião, a associação ambientalista incluiu como novidade a regulamentação da polêmica norma recentemente aprovada pelo governo de Gustavo Sáenz.

Esta é a segunda vez que o Greenpeace impugna o novo ordenamento salteño. Em fevereiro deste ano, quando o Executivo Provincial promulgou a lei, a organização já havia apresentado questionamentos.

Agora, após a regulamentação desta norma ter sido divulgada, a ONG reforçou sua posição denunciando o que considera “um golpe devastador para as florestas“.

Greenpeace volta à Suprema Corte para protestar contra a desflorestação em Salta: seu polêmico ordenamento de bosques.

Principais questionamentos à nova normativa salteña

Segundo o Greenpeace, a atualização do OTBN de Salta viola disposições da Lei Nacional de Bosques 26.331.

Em particular, denuncia-se que o novo ordenamento permitiria desflorestações em aproximadamente 720 mil hectares de áreas anteriormente protegidas.

Este número é especialmente alarmante se considerarmos que é quase idêntico a toda a superfície desflorestada na província nos últimos 15 anos (714.052 hectares), segundo dados oficiais.

Além disso, a normativa validaria desflorestações ilegais já realizadas sem exigir tarefas de restauração ambiental.

Desflorestação em Salta: os primeiros passos que alarmam

A ameaça não é apenas uma projeção para o futuro, mas o primeiro passo já está em andamento. O governo de Sáenz já convocou audiências públicas para autorizar desflorestações imediatas em 30 propriedades que totalizam 25.916 hectares.

“O governo de Sáenz está avançando para a legalização de um ecocídio: está prestes a autorizar desflorestações em 26.000 hectares e pretende flexibilizar a atual lei de bosques provincial. Ele o faz em favor dos grandes produtores agropecuários que querem continuar devastando florestas com total impunidade”, afirmou há alguns meses a coordenadora da Campanha de Bosques do Greenpeace, Noemí Cruz.

Além disso, a ativista destacou um ponto chave: “A Argentina assinou na Cúpula Climática realizada em Glasgow no ano de 2022 um compromisso de Desflorestação Zero até o ano de 2030. As províncias deveriam seguir nessa direção”.

Segundo a entidade, entre as empresas e empresários beneficiados com licenças de desflorestamento estão: Agrodesmontes S.A., SILHER S.R.L., Antonio Ricardo Talavera, María Luisa Bracero, Campos del Trópico S.A., Alberto Cañizares, Rodrigo René Cuellar, José Ignacio Lecuona de Prat e Joaquín Alejandro Paz Salazar, entre outros.

A categoria “amarelo escuro”: flexibilização questionada

Um dos pontos mais controversos é a criação da categoria “amarelo escuro“. Esta categoria permite a mobilidade de zonas produtivas condicionada por percentagens de desflorestamento de acordo com cada bacia hidrográfica.

Para o Greenpeace, esta classificação representa um “verde encoberto” que possibilita “desflorestar onde até hoje não é permitido”.

A organização aponta que essas categorias transitórias não estão contempladas na Lei 26.331. Isso implica uma zonificação flexível sem determinar geograficamente onde é permitido ou proibido desflorestar com precisão.

A categoria amarela abrange um total de 5.528.753 hectares onde o governo de Salta promove o Manejo de Bosques com Pecuária Integrada (MBGI), também conhecido como sistema silvopastoril. Esta metodologia implica a criação de gado sob cobertura florestal.

O Greenpeace adverte que este sistema funcionou historicamente como desflorestamento seletivo em províncias como Chaco e Santiago del Estero. Isso contraria o estabelecido pela Lei Nacional de Bosques.

A organização considera que esses antecedentes demonstram que a prática resultará inevitavelmente em desflorestação progressiva.

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