Esta segunda-feira começou em Puerto Madryn o julgamento oral por suposto dano ambiental contra Nadine Parry, gerente da planta, e Brahim Yoosef Vargas, responsável pelo tratamento de efluentes da empresa Conarpesa Continental Armadores de Pesca SA.
Ambos são acusados de ter permitido o despejo de líquidos não tratados no mar, causando contaminação no Golfo Nuevo.
Um processo judicial que poderia estabelecer precedente
O julgamento, presidido pela juíza Patricia Reyes, conta com a acusação do promotor-chefe Alex Williams e da promotora Florencia Bianchi, da Agência de Delitos Ambientais.
As audiências começaram às 8:40 e incluem o depoimento de testemunhas, peritos ambientais e técnicos, além da apresentação de provas para determinar se o dano causado é irreversível.
Antecedentes do caso: processamento e descobertas técnicas
Em abril de 2023, a juíza Marcela Pérez Bogado processou Parry, Yoosef e a empresa como pessoa jurídica, após pedido do promotor Williams.
A investigação começou em 2020, após a divulgação de um vídeo que mostrava um líquido rosado com odor penetrante sendo despejado no mar a partir do Parque Industrial Pesqueiro.
Uma inspeção ocular realizada pela Polícia Científica, pela Secretaria de Ecologia e Meio Ambiente e pelo CENPAT – CONICET confirmou a existência de uma “derivação” não declarada, que conectava as instalações da Conarpesa ao cano principal autorizado, permitindo o despejo direto de líquidos sem tratamento.

Contaminação certificada: níveis bacteriológicos alarmantes
Segundo dados publicados em março de 2023, as análises realizadas pelo CENPAT revelaram níveis de contaminação bacteriana 2.300 vezes superiores ao permitido, e 2.700 vezes no caso da Escherichia coli. Esses valores confirmam a gravidade do impacto ambiental no Golfo Nuevo.
O Ministério Público alega que a gerência da planta e uma chefe de área decidiram implementar um sistema de descarga de efluentes brutos, o que motivou o processamento. Por outro lado, o empresário espanhol titular da Conarpesa não foi acusado. Não foi possível comprovar que ele estava ciente do funcionamento do sistema ilegal.
Um cano oculto e um comportamento sistemático
Durante uma busca com escavadeira, foi descoberta uma câmara de inspeção que conectava o terreno da Conarpesa ao sistema autorizado.
A partir dali, era possível observar o fluxo de um líquido laranja-rosado, que se misturava com o cano legal e era despejado no mar sem tratamento prévio.
O Ministério Público concluiu que a empresa teria implementado um sistema clandestino de despejo, utilizando tubulações não declaradas para desviar resíduos diretamente para o oceano.



