Um grupo de deputadas e deputados de diferentes blocos da oposição apresentou um pedido de impugnação contra a audiência pública convocada pelo governo para tratar da Lei de Glaciares. Denunciaram que o procedimento esteve repleto de irregularidades e que a participação cidadã foi cerceada “de maneira arbitrária”.
Segundo os legisladores, dos mais de 100 mil inscritos, menos de 1% poderá participar, sem que tenha sido transparente o mecanismo de seleção. A nota formal sustenta que a metodologia “resulta manifestamente incompatível” com o regulamento da Câmara, a Constituição Nacional e a Lei Geral do Ambiente.
Signatários e argumentos
O escrito foi assinado por deputadas como Sabrina Selva, Gabriela Estévez, Lucía Cámpora, María Inés Zirgaran e Adriana Cristina Serquis, e por deputados como Maximiliano Ferraro, Pablo Juliano, Juan Brügge, Pablo Farías e Abelardo Ferrán.
Os opositores destacaram que a convocação “não garante a participação, a manipula” e que “não vai ao encontro de cumprir com a audiência pública, vai ao encontro de simulá-la”. Solicitaram a revisão, adequação ou nulidade da metodologia adotada, por considerá-la viciada em seus elementos essenciais.

Contexto do conflito
A audiência pública havia gerado grande expectativa: dos 85 mil inscritos, apenas 360 foram autorizados a expor em dois dias, com apresentações de até cinco minutos e por videoconferência. O número é recorde em termos de interesse cidadão, mas a grande maioria dos inscritos havia se manifestado contra o projeto impulsionado pelo governo de Javier Milei.
A oposição sustenta que o governo buscou restringir ilegitimamente o direito à participação cidadã efetiva, contradizendo tanto o plano de trabalho votado na Câmara quanto o regulamento das audiências públicas.
Importância da Lei de Glaciares
A Lei de Glaciares é fundamental para a proteção dos ecossistemas de alta montanha e regula as atividades que podem afetar geleiras e ambientes periglaciais. Seu debate envolve interesses ambientais, sociais e econômicos, já que impacta na mineração, no acesso à água e na preservação de recursos naturais estratégicos.
A discussão sobre a lei reflete a tensão entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental, um dilema recorrente na política argentina.
A impugnação apresentada pela oposição marca um novo capítulo no debate sobre a Lei de Glaciares. Enquanto o governo defende a metodologia aplicada, os opositores denunciam um retrocesso democrático e exigem transparência na participação cidadã. O desfecho deste conflito será crucial para definir não apenas o futuro da lei, mas também a legitimidade dos mecanismos de debate público no país.



