Mercúrio na mesa: a ameaça invisível nos peixes consumidos que preocupa a Amazônia colombiana.

Em setembro de 2023, três territórios indígenas da **Amazônia colombiana** iniciaram uma pesquisa fundamental para proteger sua saúde e território. Seu objetivo era medir a **[concentração de mercúrio](https://noticiasambientales.com/medio-ambiente/el-reclamo-de-pueblos-indigenas-amazonicos-peru-brasil-y-colombia-exigen-frenar-la-mineria-ilegal-de-oro-y-el-uso-de-mercurio/)** em peixes consumidos regularmente, um alimento essencial em sua dieta. Os participantes foram El Itilla, em Calamar (Guaviare); La Victoria, no rio Apaporis; e Mocagua, no rio Amazonas.

O trabalho, impulsionado pela **Sociedade Zoológica de Frankfurt na Colômbia** e financiado pela Aliança para o Clima e o Uso do Solo (CLUA), se estendeu por vários meses e foi concluído em fevereiro deste ano. Os resultados acenderam o alerta: até **28% das espécies analisadas excediam os níveis de mercúrio** recomendados pela **Organização Mundial da Saúde (OMS)**.

Entre as espécies com maior concentração desse metal estão a **piranha**, o **agujão**, a **payara**, o **payarín** e a **corvina**. A pesquisa revelou que os valores variam de acordo com o local de captura, sendo que Mocagua registrou os níveis mais baixos e La Victoria os mais altos.

As espécies piscívoras **com mais de 35 a 40 centímetros** de comprimento apresentaram as **maiores concentrações**, enquanto os peixes que se alimentam de lama, detritos ou frutos mostraram valores significativamente menores. Essa diferença está diretamente relacionada à posição que ocupam na cadeia alimentar.

Venda de peixe. Foto: Pixabay.
Preocupam os níveis de mercúrio nos peixes consumidos. Foto: Pixabay.

Um estudo para entender e prevenir o risco

Para obter os dados, a equipe realizou expedições em diferentes fases do **ciclo hidrológico**: águas altas, descendentes, baixas e ascendentes. Assim, foi possível detectar variações na concentração de mercúrio de acordo com a temporada. Em cada saída, os pesquisadores e membros das comunidades coletaram amostras de músculo dos peixes, que foram enviadas para laboratórios das universidades de Cartagena e Córdoba.

A pesquisa estabeleceu uma base sólida para as áreas analisadas. Em Mocagua foram coletadas **563 amostras de 104 espécies**; em El Itilla, 308 amostras de 35 espécies; e em La Victoria, 348 amostras de 32 espécies. Esse registro detalhado permitirá monitorar a situação e tomar decisões para reduzir os riscos.

O papel das comunidades foi essencial. Pescadores e moradores participaram ativamente na captura, coleta de amostras, rotulagem e embalagem. Além disso, contribuíram com conhecimentos sobre as espécies, seus hábitos e seu estado de maturidade, o que permitiu a elaboração de **diários de pesca** que fortalecem o valor científico do estudo.

As autoridades de Entre Ríos confiscaram toneladas de peixe ilegal. Foto: Pixabay.
Preocupação com os peixes consumidos na Amazônia colombiana. Foto: Pixabay.

A ameaça que cresce com a mineração ilegal

Embora o mercúrio exista naturalmente na Amazônia, a principal fonte externa é proveniente da **mineração ilegal de ouro**. Esse metal é utilizado para separar o minério de outros materiais, sendo liberado no ambiente e contaminando rios e peixes. A isso se soma a **[liberação de mercúrio](https://noticiasambientales.com/medio-ambiente/toxicos-invisibles-encuentran-restos-de-mercurio-y-pesticidas-prohibidos-en-las-plumas-de-las-ciguenas/)** do solo causada pela desflorestação e queimadas, agravando o risco para a **biodiversidade** e a **segurança alimentar**.

O problema não apenas ameaça a saúde das comunidades indígenas, mas também o **equilíbrio ecológico** da região. O mercúrio pode se acumular nos organismos, passar de presa a predador e atingir níveis tóxicos em espécies-chave. Isso compromete tanto a **conservação da fauna** quanto o acesso a alimentos seguros para as populações que dependem da pesca.

Reduzir essa ameaça implica fortalecer o controle sobre atividades ilegais, **proteger as florestas e promover práticas pesqueiras responsáveis**. A experiência desses territórios demonstra que a ciência comunitária é uma ferramenta poderosa para visualizar problemas ambientais e agir antes que suas consequências sejam irreversíveis.

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