O 6º Encontro Mundial do Grande Chaco reafirmou a necessidade de produzir conservando para um desenvolvimento sustentável da região

Durante o 6° Encontro Mundial do Grande Chaco Americano realizado no Paraguai, no âmbito da mesa de Meio Ambiente, Biodiversidade, Conservação e Serviços Ecossistêmicos, foram debatidos os principais desafios enfrentados por esta região trinacional compartilhada por Argentina, Bolívia e Paraguai.

Entre os temas destacados: desmatamento, incêndios, pressão extrativa, gestão da água e violações a normativas de Áreas Protegidas.

Extrativismo e violação de direitos: o papel do Estado em debate

Questionou-se a expansão de hidrocarbonetos e mineração em áreas protegidas sem consulta nem fiscalização comunitária.

A secretária executiva da Redes Chaco, Mariana Franco, alertou que o desenvolvimento não pode se reduzir a investimentos extrativos. “A questão está em produzir conservando”, afirmou, e propôs um modelo que gere valor econômico sem comprometer a biodiversidade nem violar direitos coletivos.

Essa abordagem exige:

  • Salvaguardas socioambientais
  • Cumprimento de marcos regulatórios
  • Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) como mecanismo vinculante e culturalmente pertinente
Gran Chaco
Comunidades da região se uniram para debater sobre o Grande Chaco Americano.

Comunidades como protagonistas da gestão territorial

Os povos indígenas e camponeses são guardiões de saberes vitais para enfrentar a crise climática.

Franco destacou o papel das populações locais na fiscalização e no cuidado do território. As práticas de manejo do monte, regeneração de solos e resiliência climática, transmitidas por gerações, se potencializam ao se articularem com a ciência, o monitoramento satelital e os sistemas de alerta precoce.

“O cuidado do Chaco deve ser liderado por quem o conhece, o habita e o protege”, sublinhou Franco.

Governança participativa e justiça ambiental

Fortalecer o autogoverno indígena e garantir a participação de mulheres e jovens é chave para a sustentabilidade.

Para avançar em direção a um modelo de gestão integral, Franco propôs mecanismos de governança participativa, onde as decisões sejam construídas desde o território e não impostas de fora. Isso implica:

  • Participação efetiva de atores locais
  • Inclusão de mulheres e jovens
  • Reconhecimento do autogoverno indígena

Cooperação trinacional: uma agenda comum para o Grande Chaco

Argentina, Bolívia e Paraguai devem coordenar ações frente a desafios compartilhados.

A dimensão transfronteiriça do Grande Chaco representa uma oportunidade estratégica para construir uma agenda comum que aborde:

  • Desmatamento e degradação de solos
  • Gestão hídrica e aquíferos
  • Pressão extrativa e fiscalização comunitária

Franco insistiu na necessidade de mesas setoriais trinacionais que convoquem governos, empresas, comunidades, academia e sociedade civil.

Tecnologia a serviço das comunidades

Observatórios da água, mapas interativos e plataformas digitais fortalecem a gestão territorial.

A incorporação de ferramentas tecnológicas permite enfrentar desafios ambientais com maior eficácia, sempre que estejam a serviço das comunidades e integrem conhecimento ancestral com inovação científica.

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