O Brasil registra 119 povos indígenas em isolamento voluntário.

Um relatório recente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) revela a existência de 119 povos indígenas em isolamento voluntário no país, também conhecidos como povos livres. Destes, 37 estão em territórios sem proteção, o que os expõe a ameaças constantes que colocam em risco sua sobrevivência.

Estes grupos, que evitam o contato com outras comunidades devido a experiências prévias de violência, foram documentados em um estudo elaborado pela Equipe de Apoio aos Povos Livres (Eapil) do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A informação está contida no livro Povos Indígenas Livres/Aislados na Amazônia e no Gran Chaco, o qual destaca a urgência de medidas para garantir sua segurança e preservar sua forma de vida.

O relatório destaca que muitos desses povos habitam em regiões fronteiriças, tornando indispensável a cooperação internacional para sua proteção. Guenter Francisco Loebens, missionário do Cimi e coorganizador do estudo, enfatizou a necessidade de um esforço conjunto entre os países vizinhos para desenhar estratégias adequadas que resguardem essas comunidades.

Por sua vez, Daniel Aristizabal, secretário do Grupo de Trabalho Internacional para a Proteção dos Povos Indígenas Aislados e de Contato Inicial (GTI-PIACI), celebrou a publicação do relatório e destacou sua importância para visibilizar a situação desses povos na América Latina e em outras partes do mundo. “Nosso sonho é que possam continuar vivendo de acordo com suas próprias decisões”, afirmou Aristizabal, sublinhando que essas comunidades representam uma das últimas resistências frente à colonização e à expansão de atividades que ameaçam sua existência.

![Derechos de pueblos indígenas](https://storage.googleapis.com/media-cloud-na/2024/09/pueblos-indigenas-300×200.jpg)

## A importância dos povos indígenas

O estudo realizado pelo Eapil também adverte sobre os riscos que esses povos enfrentam, como a desflorestação, a invasão de suas terras por atividades ilegais e a expansão de projetos extrativistas. Diante desse panorama, especialistas e ativistas reiteram a importância de implementar políticas públicas eficazes que garantam a proteção de seus territórios e o respeito por sua autodeterminação.

A importância desses povos é tão fundamental quanto seu papel na natureza. Para muitas comunidades indígenas, a natureza não é apenas um recurso, mas uma extensão de sua identidade cultural e espiritual. Seus territórios são espaços onde se entrelaçam relações de reciprocidade e respeito. Este enfoque contrasta com a visão ocidental, que tende a separar a cultura da natureza e a aplicar modelos de conservação baseados exclusivamente na ciência biológica.

Numerosos estudos demonstraram que os ecossistemas mais bem conservados do mundo coincidem com territórios indígenas. No Chaco, por exemplo, os povos indígenas mantiveram a biodiversidade através de suas práticas de caça, coleta e manejo da água. Apesar disso, muitas políticas de conservação excluíram essas comunidades, chegando até a deslocá-las de suas terras para a criação de áreas protegidas.

Fonte: La Nueva.

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