A localidade de Río Mayo, com 4.500 habitantes e localizada no sudoeste de Chubut, atravessa uma situação que preocupa toda a comunidade: desde o 19 de agosto, o acesso ao rio homônimo, principal espaço de recreação e encontro social, permanece fechado por decisão do Batalhão de Engenheiros Mecanizados 9, dependente do Exército Argentino.
Um espaço público bloqueado em Chubut: o rio como lugar de encontro
A margem oeste, historicamente utilizada pelos moradores, foi fechada sem uma resolução provincial ou municipal que a respalde.
Embora a cidade se estenda em ambas as margens do rio, o centro urbano está localizado principalmente do lado oeste, onde se encontra o terreno militar.
Desde a pandemia, o Exército começou a restringir o acesso de forma intermitente para realizar práticas como montagem de pontes, manobras com botes e exercícios de tirolesa.
No entanto, desde agosto, o fechamento se tornou permanente, gerando preocupação com a chegada do verão, quando o rio ganha maior importância como espaço comunitário.

Argumentos militares e tensões institucionais
O Exército justifica o fechamento por razões de segurança, mas moradores e autoridades questionam a legalidade da medida.
Segundo um comunicado oficial, o fechamento se deve a um incidente com armas de fogo ocorrido em 17 de agosto, ligado a caça furtiva perto dos postos de guarda.
O Exército considera que a passagem pela estrada interna representa um risco para sentinelas, instalações e civis. No entanto, moradores e autoridades locais apontam que a margem é de domínio público, segundo o Código de Águas de Chubut, e que o Instituto Provincial de Águas (IPA) é o único órgão autorizado a fixar seus limites.
Posições do Conselho Deliberativo e do governador
O município reivindica acesso livre e utilidade pública, mas o conflito escala entre o Estado provincial e o nacional.
O Conselho Deliberativo de Río Mayo afirma que as estradas ribeirinhas devem ser de livre acesso, e que o município pode acordar acessos mesmo em terrenos militares.
O governador Ignacio Torres apoiou esta posição, afirmando que o acesso ao rio é competência municipal. No entanto, a falta de uma demarcação oficial pelo IPA mantém o conflito em aberto.
“Hoje, a disputa é entre o Estado provincial e o nacional”, lamentou Silvia Muñoz, presidente do Conselho.
Impacto comunitário e necessidade de resolução
O fechamento afeta a vida cotidiana, a espiritualidade e o direito ao espaço público.
Moradores relatam que até mesmo aqueles que param para rezar na ermida da Virgem são convidados a se retirar. A situação gera desconforto, incerteza e sensação de intimidação, especialmente pela presença dominante do quartel na área urbana.



