Um jovem argentino líder em sustentabilidade representará a América Latina na ONU durante os próximos dois anos.
Trata-se de Martín Vázquez Jones, o politólogo de 30 anos que cofundou a ONG Río Sustentable.
Ele foi selecionado entre mais de 33.000 candidaturas de 150 países por seu trabalho na recuperação do rio Suquía em Córdoba.
A Organização das Nações Unidas (ONU) o designou em dezembro passado como um dos 17 Young Leaders for the Sustainable Development Goals.
Em particular, este jovem líder em sustentabilidade defenderá o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número seis, centrado em água limpa e saneamento.

Do “bosque de plástico” ao ativismo internacional
Vázquez Jones nasceu e cresceu a metros do rio Suquía, onde brincava quando criança. Após viver dois anos na Austrália, voltou a Córdoba durante a pandemia.
No entanto, o reencontro com o rio o impactou: estava sujo, cheio de resíduos e transformado em um “bosque de plástico”, segundo descreveu.
“Melbourne me mudou a mentalidade. Aprendi que a natureza deve ser respeitada, mas também cuidada“, assegurou este jovem líder em sustentabilidade em diálogo com El País.
Por isso, o jovem começou a organizar brigadas de limpeza com amigos de infância, somando cada vez mais pessoas em cada jornada.
Essas ações deram origem à Río Sustentable, que hoje mobiliza centenas de voluntários para a “restauração ecossistêmica do rio Suquía através de ações comunitárias”.
Os resultados do trabalho territorial de Vázquez Jones, o jovem argentino líder em sustentabilidade
Em cinco anos, o coletivo ambientalista conseguiu restaurar 5.000 metros de margens e plantar 10.000 árvores nativas. No primeiro ano retiraram toneladas de lixo repetidamente, lutando contra as enchentes que traziam novos resíduos.
Para profissionalizar o projeto, Vázquez Jones se mudou para Costa Rica e depois para a Noruega. No país centro-americano coordenou o voluntariado na Reserva Natural Absoluta Cabo Blanco.
“Em Córdoba, nós só tínhamos uma marca no Instagram e um par de pás que nos haviam doado”, explicou o jovem líder em sustentabilidade.
Ao retornar, percebeu que o trabalho territorial era insuficiente e embarcou na “militância digital” para tornar viral o cuidado do rio.

A crise oculta da água
Com mais de 100.000 seguidores no TikTok, Martín denunciou despejos ilegais de águas de esgotos provenientes de edifícios e fábricas em pleno centro urbano.
“Não sou contra o desenvolvimento imobiliário, desde que se respeite a lei e não se despejem os resíduos na água”, afirmou.
Estudos do Laboratório de Investigações em Contaminação Aquática da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), publicados em 2025, revelaram dados preocupantes:
- O 80% dos peixes contêm microplásticos em seu sistema digestivo
- Predominam fibras têxteis sintéticas e semissintéticas como celulose
- Registram-se pesticidas, fármacos e microplásticos nos corpos d’água
O rio Suquía nasce na saída do lago San Roque e deságua 200 quilômetros depois na lagoa Mar Chiquita. Este pântano de importância internacional está protegido pelo convênio Ramsar, o que torna a crise um problema de biodiversidade global.
O o jovem argentino líder em sustentabilidade exigem a participação política
“Os jovens herdamos o pior da crise climática, da gestão ambiental e da disponibilidade dos recursos, com a injustiça de que não somos parte da tomada de decisões“, sublinhou Vázquez Jones.
O jovem líder em sustentabilidade considera que o ativismo de base é insuficiente se não se traduzir em políticas públicas e leis.
“Os jovens somos o motor da mudança, temos que estar nas mesas onde se tomam decisões”, afirmou.
Sua última ação começou no primeiro de janeiro: um desafio de 365 dias para limpar de garrafas e outros resíduos o leito do rio. A tarefa é documentada diariamente através de sua conta no TikTok.
“Não vou ser um espectador. Aposto por nos mobilizarmos para propor soluções para a crise atual”, concluiu este jovem líder em sustentabilidade que representará a Argentina perante agências da ONU.



