O Paquistão impulsionou um dos programas de reflorestamento mais ambiciosos do mundo: o Ten Billion Tree Tsunami Programme, que em apenas três anos conseguiu plantar 10 bilhões de árvores. A iniciativa busca frear os efeitos das mudanças climáticas e sustentar economias rurais frágeis em um país que quase não gera emissões poluentes, mas que sofre alguns dos piores impactos ambientais globais.
O projeto começou na província de Khyber Pakhtunkhwa, onde foram regenerados um bilhão de árvores antes de 2021. Essa experiência serviu como base para escalar o plano a nível nacional sob o guarda-chuva de Green Pakistan, que mantém a meta final de 10 bilhões de árvores e abriu auditorias para verificar a sobrevivência real das plantações.
Impacto social e econômico
Além dos números, o programa gerou mais de dois milhões de empregos verdes, principalmente em viveiros, vigilância florestal e trabalhos rurais.
Muitos desses postos beneficiaram jovens sem acesso a emprego estável, fortalecendo a economia local e oferecendo alternativas frente à migração forçada pela crise climática.
O Paquistão conta com apenas 5% de superfície florestal, muito abaixo da média mundial. Sem intervenção, a desertificação e as ondas de calor ameaçam a agricultura e o acesso à água.
As primeiras análises independentes mostram um aumento líquido de 300 km² de massa florestal nas áreas intervencionadas até 2020, segundo dados de satélite. O programa não se limitou a plantar árvores: também fechou áreas ao pastoreio e reforçou a vigilância, permitindo a regeneração natural e reduzindo o desmatamento em zonas de alta pressão.

Efeitos sobre o clima local
Os impactos imediatos no clima foram mais discretos. Observou-se um leve aumento das precipitações (0,5%–0,8%) em áreas com maior densidade de intervenção, embora não tenham sido detectadas mudanças claras nas temperaturas nem na qualidade do ar.
Os especialistas lembram que os benefícios climáticos das florestas requerem tempo: as árvores precisam de anos para atingir um tamanho que influencie significativamente o ambiente.
Desafios e planejamento
O design do projeto condiciona seus resultados. Os ecologistas alertam que um reflorestamento mal planejado pode esgotar recursos hídricos ou deslocar atividades agrícolas. Por isso, as autoridades tentaram priorizar espécies adaptadas a cada ecossistema, como coníferas em áreas montanhosas e variedades resistentes à seca em planícies.
A sobrevivência das árvores é agora o principal ponto de controle. Auditorias independentes buscam garantir que as plantações prosperem e que o esforço não se dilua com o tempo.
O “tsunami verde” do Paquistão é um exemplo de como um país vulnerável pode liderar ações globais contra as mudanças climáticas. Embora os resultados imediatos sejam moderados, o impacto social e a regeneração florestal já são visíveis. O desafio será manter a sobrevivência das árvores e consolidar um modelo de reflorestamento que combine benefícios ambientais, econômicos e sociais a longo prazo.



