A Sala Segunda da Câmara de Apelações em Civil e Comercial de Resistencia (Chaco) revogou a histórica sentença que protegia o Parque Caraguatá.
As juízas Gladys Zamora e María Sáez declararam abstrata a questão de fundo, anulando a medida cautelar que interrompia obras e a ordem de apresentar um diagnóstico ambiental integral.
Com esta decisão, o terreno fica sem proteção legal vigente, o que gera preocupação entre vizinhos e organizações ambientais.
Antecedentes do caso
O juiz de primeira instância Julián Flores havia considerado o parque como um “sujeito de direito”, equiparável a um pântano urbano, concedendo-lhe prerrogativas especiais. No entanto, a Câmara determinou que o conflito perdeu atualidade porque as obras questionadas —um saneamento e armazenamento de troncos e veículos— já haviam sido concluídas antes da sentença inicial.
Os argumentos centrais foram:
- Perda de atualidade: ao cessar os trabalhos, o objeto do amparo desapareceu.
- Rejeição à queixa dos vizinhos: a reclamação sobre um possível reinício de obras foi considerada hipotética.
Debate jurídico e ambiental
As camaristas evitaram pronunciar-se sobre os agravos institucionais, mas dedicaram um apartado à polêmica qualificação do Caraguatá como “sujeito de direito”. Validaram as tendências internacionais da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre emergência climática, embora tenham optado pelo paradigma ecocêntrico e sistêmico da Corte Suprema argentina.
Segundo esta doutrina, os bens coletivos já estão protegidos pelo ordenamento jurídico sem necessidade de conceder personalidade jurídica a um ecossistema particular.
Compromissos municipais
A sentença esclarece que as intenções da comuna se limitam a diretrizes gerais e que existe um compromisso de não intervir no parque até contar com um plano de manejo ambiental integral.
Além disso, qualquer ação futura deverá ajustar-se à Lei Geral do Ambiente, à Constituição e ao Acordo de Escazú.

Importância do Parque Caraguatá
O Parque Caraguatá preserva 80 hectares de mata nativa e pântanos a 10 minutos do centro de Resistencia.
É considerado o pulmão verde urbano mais importante da cidade.
Razões para protegê-lo
- Refúgio de biodiversidade: abriga cerca de 200 espécies de animais e plantas, incluindo espécies em perigo.
- Sustentabilidade urbana: funciona como esponja natural que absorve água da chuva, prevenindo inundações. Suas árvores reduzem a temperatura e mitigam o calor extremo.
- Conexão cultural: tem valor espiritual e econômico para comunidades indígenas como o povo Qom, que utilizam suas plantas para remédios e artesanatos.
- Educação e recreação: é um espaço para aprender sobre ecologia e cuidado ambiental. Grupos impulsionam a campanha #CaraguatáReservaJá para conseguir sua proteção definitiva.
A revogação da sentença deixa o Parque Caraguatá em um cenário incerto. Embora o município prometa não intervir até contar com um plano ambiental, a falta de proteção judicial abre a porta para futuros riscos.
Este espaço não é apenas vital para a biodiversidade chaqueña, mas também para a resiliência urbana e a identidade cultural de Resistencia.



