Cientistas argentinos criaram o primeiro mapa que mostra como as ondas de calor aumentam a mortalidade por episódios cardíacos na Argentina.
Em particular, o estudo identificou uma faixa diagonal que atravessa o país onde o risco cardíaco dispara durante episódios de calor extremo.
O estudo foi realizado por uma equipe composta por especialistas do Conicet, a CONAE e a Universidade Nacional de Córdoba.
Estes desenvolveram mapas inéditos que revelam onde as ondas de calor na Argentina elevam perigosamente o risco de morte por doenças do coração.
O trabalho, publicado em The Journal of Climate Change and Health, demonstrou que o risco não se distribui de forma uniforme no território nacional.
A pesquisa esteve a cargo de Juan Pinotti, Ximena Porcasi, Sonia Pou, Camila Niclis, María Inés Stimolo, Laura Aballay, Rubén Actis Danna e Sonia Muñoz.
Esses especialistas trabalham no Instituto de Altos Estudos Espaciais “Mario Gulich” da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CONAE), o Instituto de Pesquisas em Ciências da Saúde do Conicet e a Universidade Nacional de Córdoba.

Ondas de calor: uma “diagonal mortal” atravessa a Argentina
Em sua análise, os cientistas identificaram uma zona diagonal de alto risco que se estende do sudoeste até o nordeste da Argentina.
Nesta faixa, as ondas de calor provocam um aumento significativo na mortalidade por doenças cardiovasculares, como os infartos.
“Uma ampla zona diagonal, que se estende do sudoeste para o nordeste da Argentina, apresenta maiores riscos de mortalidade devido a uma combinação de vulnerabilidades e ondas de calor, enquanto as áreas costeiras e de grande altitude exibem riscos menores”, detalharam os pesquisadores nesse sentido.
As províncias incluídas nessa faixa de alto risco são:
- Córdoba (especialmente centro e norte)
- Santa Fe (centro-norte)
- Entre Ríos
- Santiago del Estero
- Chaco
- Formosa
- Corrientes
- Misiones
- Norte de Buenos Aires
- Norte de La Pampa
- Leste de Salta
Também foram identificados focos no sudoeste de Mendoza e oeste de La Pampa.
Em contraste, as regiões costeiras, o Noroeste (Jujuy, parte de Salta, Catamarca) e as áreas de altitude apresentaram níveis de risco baixos.

A metodologia: clima, sociedade e saúde
Para definir o que são as ondas de calor, os cientistas usaram o critério do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina.
Assim, estas ocorrem quando as temperaturas mínimas e máximas superam o percentil 90 durante pelo menos três dias seguidos na temporada quente.
Em particular, a análise dos cientistas nacionais se concentrou nos anos 2006 a 2010 e utilizou informações oficiais do Sistema Nacional de Estatísticas, dados climáticos e medições satelitais.
Após isso, a vulnerabilidade ao calor foi medida em quatro aspectos:
- social;
- ambiental;
- doenças crônicas, e;
- hábitos de vida
Também foram considerados outros aspectos pessoais como:
- necessidades básicas insatisfeitas;
- educação;
- acesso à saúde;
- diabetes;
- hipertensão;
- obesidade;
- consumo de álcool;
- pouca atividade física, e;
- tabagismo.
É que, tal como apontaram os especialistas, o problema do impacto das ondas de calor na Argentina não depende apenas das altas temperaturas.
Na verdade, também importa como vivem as pessoas, se têm acesso a serviços de saúde, o nível educativo e as condições ambientais.
Considerando isso, o modelo estatístico permitiu ver em que lugares a mistura de calor e vulnerabilidade social eleva o perigo.

Zonas críticas em ondas de calor na Argentina e recomendações
Em ondas de calor, o centro-norte da Argentina revelou-se a zona crítica.
O Nordeste, por sua vez, soma uma alta vulnerabilidade social, com carências básicas e pouco acesso à saúde.
Quanto ao sudoeste, este se destaca por problemas na cobertura de saúde e na educação primária.
Na análise, os especialistas consideraram uma média de sete ondas de calor entre 2006 e 2010.
No entanto, alguns departamentos chegaram até catorze episódios, pelo que são considerados os mais perigosos da Argentina durante ondas de calor.
Após apresentar o estudo, os pesquisadores recomendaram que as autoridades usem esses mapas para decidir onde agir primeiro.
É que, enquanto no nordeste é necessário um plano de desenvolvimento integral, no sudoeste convém melhorar a saúde e a educação.
Isso é especialmente relevante se considerarmos que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na Argentina e as que mais se agravam com as ondas de calor.
Por isso, atualizar periodicamente esses mapas será fundamental para melhorar a prevenção e a resposta sanitária diante das ondas de calor na Argentina.



