Revés para o Uruguai: a Justiça argentina exige estudos sobre a planta de hidrogênio verde em Paysandú

A Justiça Federal argentina deu um novo passo no caso contra o Estado uruguaio e a empresa HIF Uruguay SA, vinculada ao projeto de instalação de uma planta de hidrogênio verde e combustíveis sintéticos em Paysandú.

O juiz Hernán S. Viri ordenou à Comissão Administradora do Rio Uruguai (CARU) enviar estudos e monitoramentos sobre a qualidade da água no trecho compreendido entre Termas de San José e Concepción del Uruguay.

A medida responde a uma ação judicial preventiva apresentada pelos deputados Guillermo Michel e Marianela Marclay, junto com o senador Adán Bahl, que sustentam que devem ser respeitados os procedimentos estabelecidos no Estatuto do Rio Uruguai para projetos binacionais.

Função da perita e documentação requerida

A perita bióloga designada no processo solicitou acesso a informações científicas atualizadas para elaborar um relatório técnico. O pedido à CARU busca fortalecer a análise do processo diante dos alertas sobre possíveis impactos ambientais decorrentes da planta.

Michel celebrou a decisão e afirmou que “a saída deste conflito é através da aplicação da lei e do tratado do Rio Uruguai”, destacando que o caso permite discutir o tema a partir de uma perspectiva técnica e jurídica, além da confrontação política.

Reações e tensões bilaterais

O projeto gerou conflitos diplomáticos entre autoridades argentinas e uruguaias. Do Uruguai asseguram que a iniciativa cumprirá com todas as exigências ambientais e ressaltam que existe um diálogo permanente com a Argentina para esclarecer dúvidas.

Enquanto isso, HIF Global continua negociando com o governo uruguaio os últimos detalhes do investimento. A ministra da Indústria, Energia e Mineração, Fernanda Cardona, informou que a empresa terá prazo até dezembro para definir se concretiza o projeto em Paysandú.

hidrogênio verde
A justiça argentina investiga o projeto de hidrogênio verde no Uruguai.

Possíveis alternativas

Cardona lembrou que a iniciativa começou em 2022 e que, após a mudança de administração no Uruguai, se abriu uma nova etapa de conversas.

Entre as alternativas está a utilização da infraestrutura existente da Ancap em Paysandú, o que implicaria uma realocação parcial da planta. Esta opção já foi apresentada às autoridades argentinas em reuniões bilaterais recentes.

Implicações regionais

O caso reflete a complexidade dos projetos energéticos binacionais:

  • Impacto ambiental: necessidade de estudos rigorosos sobre o uso da água e a biodiversidade do rio Uruguai.
  • Marco jurídico: aplicação do tratado como ferramenta de resolução de conflitos.
  • Relações diplomáticas: tensões e negociações entre ambos os países.
  • Transição energética: o projeto se enquadra na estratégia regional de descarbonização e produção de energias limpas.

O avanço judicial na Argentina marca um revés para o Uruguai, que deverá responder com informações técnicas através da CARU.

A decisão destaca que a transição para o hidrogênio verde não só implica inovação tecnológica e grandes investimentos, mas também processos legais, diplomáticos e ambientais complexos.

O desfecho dependerá da capacidade de ambos os países para articular cooperação e garantir que o desenvolvimento energético seja realizado dentro dos marcos de sustentabilidade e respeito ao direito internacional.

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