A recente reforma da Constituição de Santa Fe marca um marco político, jurídico e ambiental: o acesso à água potável e ao saneamento foi elevado à categoria de direito humano essencial, e os ecossistemas aquáticos —pântanos, rios, riachos e lagos— obtiveram personalidade jurídica, o que os torna sujeitos de direito protegidos pelo Estado.
Um avanço inédito na América Latina
A província se posiciona como pioneira em reconhecer direitos ecossistêmicos e obrigações estatais concretas.
Para Aníbal Faccendini, diretor da Cátedra da Água da Universidade Nacional de Rosario, trata-se de uma reforma “original e inédita” por sua complexidade e alcance.
O novo artigo constitucional não apenas contempla a escassez do recurso, mas também seu ciclo hidrológico, e obriga o Estado a protegê-lo da contaminação e da exploração.
“Onde não há água, há pobreza, problemas de saúde e deterioração ambiental. Esta reforma é uma grande porta para começar a resolvê-los”, enfatizou Faccendini.
Emergência hídrica e desigualdade estrutural
Mais de 400.000 pessoas em Santa Fe não têm acesso seguro à água potável.
Um dos dados mais urgentes que impulsionou a reforma é que centenas de milhares de santafesinos não têm acesso seguro e integral à água.
Em Rosario, são denunciados bairros onde as mulheres precisam levantar de madrugada para coletar água devido à baixa pressão no fornecimento.
Santa Fe garante o direito ao acesso à água.
Implicações legais: a água como direito constitucional
O Estado deverá adaptar normas, eliminar contradições e garantir o acesso universal.
A reforma implica que não bastará com leis ordinárias: a água agora tem status constitucional, acima de decretos e ordenanças. O Estado de Santa Fe fica obrigado a:
- Evitar cortes arbitrários ou por dívida
- Revogar normas contraditórias
- Garantir o acesso equitativo e contínuo à água e ao saneamento
Água e produção: uma visão integral
A reforma também contempla o uso produtivo da água com critérios de sustentabilidade.
Faccendini destaca que a água é fundamental para a produção agrícola e pecuária: são necessários 2.100 litros de água para produzir um quilo de soja e 15.000 litros para um quilo de carne bovina.
Por isso, a qualidade e disponibilidade do recurso interessam a toda a sociedade, desde ambientalistas até produtores.
Água, saúde e desenvolvimento sustentável
Um direito humano que impacta na saúde pública, na segurança alimentar e na equidade social
- Prevenção de doenças: a água não potável é fonte de doenças gastrointestinais
- Segurança alimentar: essencial para a agricultura e a produção de alimentos
- Crescimento econômico: reduz custos em saúde e melhora a produtividade
- Redução da pobreza: o acesso universal à água promove a equidade
- Sustentabilidade ambiental: a água é a base dos ecossistemas e do desenvolvimento sustentável



