O Centro de Investigação, Desenvolvimento e Inovação para a Gestão Integral da Água no Árido (Cigiaa) apresentou seu 4º Relatório de Conjuntura, intitulado “Seca hidrológica e socioeconômica na província de San Juan: 5 pontos-chave na gestão da água”, onde descreve com precisão o cenário crítico que a província está enfrentando devido à diminuição estrutural da oferta hídrica.
A falta constante de neve nas bacias altas dos rios San Juan e Jáchal, inferior à média dos últimos 25 anos, valida projeções científicas que desde o início do século alertam sobre o declínio das precipitações níveas nos Andes Centrais.
“É necessário começar a tomar medidas agora, porque a situação é crítica”, afirmou Facundo Vita Serman, diretor do Cigiaa, em entrevista ao Diario Huarpe.
Queda constante do caudal e deterioração dos sistemas hídricos
O relatório revela que:
- O módulo histórico do rio San Juan, estimado em 1.900 hm³, caiu para 1.544 hm³
- Na última década, a contribuição média anual foi de 1.042 hm³, apenas 50 % do valor histórico
- Outros fatores se somam como:
- Retração de glaciares
- Elevação da isoterma de 0 ºC
- Queda dos níveis freáticos
- Salinização e contaminação de aquíferos
Da seca hidrológica à emergência socioeconômica
O Cigiaa adverte que San Juan não enfrenta mais apenas uma seca hidrológica, mas uma seca socioeconômica, cujos impactos afetam:
- O fornecimento de água potável
- A produtividade agrícola
- A geração hidroelétrica
- O equilíbrio ecossistêmico do território árido
O Conselho Consultivo Científico do Cigiaa, composto pelo INTA, INA-CRAS, Conae, Universidade Nacional de San Juan e Governo provincial, identificou cinco elementos críticos:
- Reservatórios em risco estrutural, com cotas abaixo dos níveis de segurança
- Declínio e contaminação de aquíferos, devido à superexploração
- Risco no fornecimento de água potável, especialmente no Vale de Tulum
- Interrupção do fluxo do rio San Juan, o que impede a recarga de aquíferos
- Cortes prolongados na rede de irrigação, com forte impacto na agricultura
Rumo a uma gestão integrada e multissetorial
Embora a decisão do Executivo provincial de destinar 800 hm³ ao sistema de irrigação para o ciclo 2024/25 tenha melhorado as reservas superficiais, a pressão sobre os aquíferos continua. O modelo atual de gestão por oferta, com uma eficiência inferior a 20 % na irrigação gravitacional, é considerado insustentável.
O Cigiaa propõe avançar para um modelo de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos (GIRH), baseado em:
- Uso racional da água
- Prioridade do consumo humano
- Planejamento por bacia hidrográfica
- Equidade social
- Abordagem participativa, multissetorial e territorial
“A chave está em reconhecer a água como um recurso estratégico, escasso e público, cuja conservação e uso devem obedecer a critérios científicos, técnicos e sociais”, conclui o relatório.



