Troféus de caça: Exposição fotográfica na Argentina busca sensibilizar sobre essa ameaça à biodiversidade.

A exposição fotográfica “Natureza morta, troféus de caça” foi inaugurada na Câmara dos Deputados da Nação. Esta exposição, que reúne 33 fotos da fotógrafa alemã Britta Jaschinski, tem como objetivo sensibilizar a comunidade e as autoridades em relação a uma prática que afeta a biodiversidade.

A atividade pretende conscientizar sobre o tratamento do projeto de lei 7087-D-2024, que proíbe a importação de troféus de caça na Argentina. Esta iniciativa foi apresentada pela deputada nacional María Soledad Carrizo (Córdoba) e aguarda debate nas comissões do Congresso.

A caça de troféus visa matar animais selvagens para depois exibir as suas partes como “troféus”. Foto: Britta Jaschinski

Uma prática questionável que afeta a biodiversidade

A caça de troféus consiste em matar animais selvagens para obter os seus corpos ou partes e exibi-los como “troféus” do sucesso da caça. Nas imagens chocantes capturadas por Jaschinski, são mostrados artigos como cadeiras feitas com pés de elefante, chinelos de pata de urso e cabeças de leão empalhadas.

“Atualmente é legal que os caçadores argentinos viajem para o exterior para matar animais e trazer troféus como estes. É uma injustiça cruel que queremos erradicar”, refere Marina Sansostri Ratchford, representante da Humane World for Animals (HWA) na Argentina, à Notícias Ambientais.

O comércio de troféus de caça é uma atividade legal em muitos países, mas cada vez mais questionada pelo seu impacto na biodiversidade. Na Argentina, esta prática tem sido intensa nos últimos anos. De acordo com a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres (CITES), a Argentina esteve entre os dez países com maior nível de exportação de troféus a nível mundial na última década.

Além disso, está entre os 20 países que mais importam troféus de caça de mamíferos protegidos no mundo. Os números deste comércio questionável contrastam com a opinião pública argentina, que majoritariamente rejeita esta prática.

Nove em cada dez argentinos são contra o comércio de troféus de caça. Foto: Britta Jaschinski

Uma pesquisa realizada em 2022 pela CIO Creative Investigation detectou que 92% dos argentinos são a favor da proibição da caça de troféus. Neste estudo, 91% dos entrevistados também rejeitaram a presença de caçadores estrangeiros no território argentino e o seu fluxo comercial.

O projeto de lei proposto pela deputada Carrizo está em consonância com uma tendência mundial para acabar com a caça de troféus. Durante a última década, têm sido impostas restrições a esta atividade na Austrália, Bélgica, Colômbia, Costa Rica, Países Baixos, Finlândia, França, Malawi, entre outros países.

Em nível local, em 2022, o então Ministério do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável emitiu a resolução 133/2022. Esta disposição proíbe a importação, exportação e trânsito interjurisdicional de troféus de caça de espécies da fauna silvestre autóctone.

Troféus de caça em fotos

A exposição “Natureza morta, troféus de caça” estará em exibição até 27 de junho no Anexo A da Câmara dos Deputados da Nação (Av. Rivadavia 1841, Ciudad Autónoma de Buenos Aires).

A exposição, organizada pela Deputada Nacional María Soledad Carrizo (Córdoba) e pela Direção de Cultura, Museu e Extensão Federal, conta com o apoio da organização Humane World for Animals (HWA).

“O espírito desta exposição busca tornar visível a complexidade moral e o simbolismo que os troféus de caça escondem”, afirmou Marina Sansostri Ratchford da HWA.

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