A iniciativa busca criar um instrumento voluntário para reconhecer empresas e organizações que reduzam emissões e se adaptem aos riscos climáticos.
O design do Selo Climático provincial em La Pampa protagonizou uma jornada de trabalho multissetorial realizada na Universidade Nacional de La Pampa (UNLPam) neste 24 de outubro. Coincidindo com o Dia Internacional da Luta contra as Mudanças Climáticas, o encontro reuniu representantes do governo provincial, o setor produtivo, acadêmicos, estudantes e membros da sociedade civil.
Esta iniciativa está enquadrada no Plano de Resposta às Mudanças Climáticas que a província possui, o qual já está validado a nível nacional. La Pampa é uma das únicas três jurisdições do país com uma ferramenta deste tipo, sendo a primeira a obter tal convalidação.
Este plano, que atua como guia provincial, define 30 ações prioritárias para gerir riscos territoriais críticos, como inundações, incêndios rurais e ondas de calor mais prolongadas. A implementação destas medidas conta com a colaboração da Fundação Sustentabilidade Sem Fronteiras.
O workshop centrou-se na co-criação deste Selo Climático, concebido como um instrumento voluntário. Seu objetivo principal é duplo: por um lado, acompanhar as organizações pampeanas em seus esforços de adaptação e redução de emissões; por outro, reconhecer publicamente esses esforços.
Busca-se estimular a adoção de práticas como a eficiência energética, a adaptação a novos riscos, as compras sustentáveis e a implementação de uma melhoria contínua. As entidades que demonstrarem progressos verificáveis obterão um distintivo oficial emitido pelo Governo de La Pampa que credencie seu compromisso ambiental.
Sustentabilidade Sem Fronteiras fornece o apoio técnico para o design metodológico da ferramenta. O esquema está pensado para que as empresas e cadeias de valor disponham de mecanismos concretos que lhes permitam demonstrar resultados auditáveis, tanto perante o Estado provincial como dentro de suas próprias cadeias de fornecimento.
O processo de desenvolvimento do Selo Climático provincial em La Pampa incluiu reuniões técnicas prévias com atores-chave como a União Industrial de La Pampa, a Sociedade Rural, CARBAP e a Faculdade de Agronomia da UNLPam.
Além disso, foi realizado um workshop específico com produtores agropecuários e empresas para garantir que o instrumento seja aplicável na prática, reflita as realidades produtivas locais e não se torne uma barreira burocrática.
A jornada de 24 de outubro abrangeu mesas de trabalho técnico sobre financiamento, regulamentações, adaptação e risco climático. Contou com a presença da Secretaria de Ambiente e Mudanças Climáticas provincial, técnicos governamentais, a UNLPam, câmaras empresariais e produtores.
Neste ecossistema, o papel de Sustentabilidade Sem Fronteiras é servir de elo entre os setores público e privado, ajudando a traduzir os compromissos climáticos em processos verificáveis e assegurando que os dados gerados pelo setor produtivo retroalimentem o monitoramento do plano provincial.
Segundo a fundação, o modelo que implementa La Pampa estabelece um novo padrão na governança climática subnacional na região. A política climática provincial transcende o meramente normativo para se tornar uma política pública operativa, co-desenhada com o setor produtivo.
Esta abordagem inclui critérios claros de medição de pegada de carbono, metas de adaptação e mitigação, e uma rastreabilidade verificável anualmente. Considera-se que este modelo oferece um caminho tangível para manter a agenda climática ativa, mesmo em contextos onde o tema é negado ou relativizado a nível nacional.





