Em um contexto onde as ondas de calor são cada vez mais frequentes, pesquisadoras do CONICET desenvolveram FORMA3T, uma plataforma gratuita que estima a temperatura do ar exterior em bairros residenciais. A ferramenta permite conhecer valores máximos, mínimos e médios a partir de variáveis como a altura das habitações, a largura das ruas e a orientação urbana.
O sistema busca impulsionar o design de “cidades frescas”, adaptadas aos desafios da mudança climática. FORMA3T apoia-se em centenas de simulações realizadas com o software ENVI-met, ajustadas com medições reais de campo, o que permitiu gerar mais de 500 cenários diferentes sobre o comportamento térmico urbano.
Dessas análises surgiram modelos matemáticos capazes de prever rapidamente a temperatura em ambientes urbanos, a partir de poucos parâmetros. Assim, a plataforma facilita comparar designs ou avaliar zonas já construídas, tornando-se um recurso chave para planejadores, arquitetos e governos locais.
O acesso é livre e não requer download. Com apenas a inserção de dados simples —como a largura da rua ou a distribuição de lotes—, o sistema oferece resultados imediatos que permitem identificar quais mudanças podem diminuir o calor urbano e melhorar o conforto térmico.

Um passo em direção às cidades sustentáveis
A ferramenta promove uma visão integral do urbanismo, onde o design pode ajudar a mitigar o efeito da ilha de calor urbana, reduzir o consumo energético e melhorar a qualidade de vida. Os modelos de FORMA3T alcançam níveis de precisão superiores a 85%, chegando até 90% na estimativa de temperaturas mínimas, um dado chave para avaliar o resfriamento noturno.
A equipe desenvolvedora pertence ao Instituto de Ambiente, Habitat e Energia (INAHE-CONICET) e contou com o apoio da Municipalidade de Mendoza, o Fundo Verde e o próprio CONICET. Sua criação representa um avanço no planejamento climático local e um exemplo de inovação aplicada ao desenvolvimento urbano sustentável.
Além de fornecer informações técnicas, FORMA3T tem um enfoque educativo: permite a estudantes e profissionais experimentar com diferentes cenários urbanos e compreender como as decisões de design afetam a temperatura ambiental.

O que deve ter uma cidade fresca
Uma cidade fresca não depende apenas do clima, mas de sua estrutura e planejamento. A presença de arborização urbana, parques e telhados verdes contribui para baixar a temperatura superficial e melhorar a qualidade do ar. As ruas mais estreitas e sombreadas reduzem a radiação direta, enquanto uma correta orientação da trama urbana favorece a ventilação natural.
O uso de materiais permeáveis e cores claras em ruas e edificações também é fundamental: refletem a radiação solar e evitam o acúmulo de calor. Por outro lado, a integração de corredores bioclimáticos e espaços públicos com vegetação ajuda a equilibrar as temperaturas entre diferentes setores urbanos.
Projetar cidades frescas significa planejar pensando na adaptação climática. Ferramentas como FORMA3T permitem antecipar cenários, otimizar recursos e construir cidades mais habitáveis, sustentáveis e resilientes frente a um planeta cada vez mais quente.



