Os fabricantes de automóveis chineses estão ampliando sua presença na América do Sul com modelos tradicionais e elétricos. Embora os carros elétricos ainda representem uma fração pequena do mercado, seu crescimento é constante.
No Peru, entre janeiro e setembro de 2025 foram vendidos 135.394 carros novos, dos quais 7.256 foram híbridos e elétricos, um recorde que marca um aumento de 44% em relação ao ano anterior, segundo a associação automotiva local.
O porto de Chancay: um novo centro logístico regional
A abertura do megaporto de Chancay, ao norte de Lima, foi fundamental para este avanço. Construído sob a iniciativa chinesa da Faixa e Rota (Belt and Road Initiative), reduziu pela metade os tempos de envio transpacífico.
Este corredor logístico permite que marcas como BYD, Chery e Geely acelerem suas entregas em toda a região. Em setembro, a Cosco Shipping realizou seu primeiro transbordo de 250 automóveis para o Chile, onde as marcas chinesas já controlavam 33% do mercado automotivo total. Novos envios também foram destinados ao Equador e Colômbia, consolidando o Peru como um hub regional de distribuição.
BYD e a liderança na eletromobilidade
O fabricante BYD, líder mundial em veículos elétricos, híbridos plug-in e de combustão, planeja abrir um quarto concessionário em Lima antes do final do ano. A empresa já domina as vendas de elétricos no Brasil, Colômbia, Equador e Uruguai, e em outubro desembarcou pela primeira vez na Argentina, apesar das dificuldades econômicas e comerciais do país.
No Uruguai, a BYD tornou-se o terceiro maior vendedor de veículos de todos os tipos, apenas atrás da Chevrolet e Hyundai. A participação de mercado das marcas chinesas dobrou desde 2023 e atinge 22%, com preços competitivos que partem de US$ 19.000 para modelos elétricos de bateria (BEV).

Crescimento regional dos elétricos
A penetração de veículos elétricos na América Latina dobrou em 2024, atingindo cerca de 4%, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Os números mais recentes mostram quotas recorde:
- Chile: 10,6% dos carros novos registrados em setembro.
- Brasil: 9,4% em agosto.
- Uruguai: 28% no terceiro trimestre.
Em comparação, Europa e China registraram mais da metade de carros novos elétricos (56% e 51%), enquanto Japão e Estados Unidos permanecem atrasados (2% e 10%).
Brasil: produção local e tensões comerciais
O Brasil tornou-se um mercado estratégico. BYD começou a montagem de elétricos em outubro na antiga fábrica da Ford na Bahia, enquanto a Great Wall Motors (GWM) iniciou produção parcial em uma planta recondicionada da Mercedes-Benz.
No entanto, o país também importa grandes volumes: no início de 2025, o maior navio de transporte de automóveis do mundo atracou em Itajaí com 22.000 veículos chineses.
Grupos industriais e sindicais brasileiros criticam que a China aproveita as baixas barreiras tarifárias temporárias para exportar elétricos sem gerar emprego local suficiente. O governo já começou a reimpor tarifas, que alcançarão 35% em julho de 2026.
Um mercado em transformação
A expansão chinesa na América do Sul responde a uma guerra de preços interna na China e a um excedente de produção que busca novos destinos. A estratégia combina alianças com importadores locais, preços competitivos e financiamento através de bancos regionais.
Com o porto de Chancay no Peru e os investimentos no Brasil, os fabricantes chineses estão configurando um novo mapa automotivo regional, onde a eletromobilidade ganha terreno e os consumidores têm acesso a modelos mais acessíveis.
A presença de BYD, Chery, Geely e GWM na América do Sul reflete uma mudança estrutural no mercado automotivo. Com hubs logísticos como Chancay e Vitória, e com quotas crescentes em países como Uruguai e Chile, a China se posiciona como um ator dominante na transição para a mobilidade elétrica na região.



