No departamento de Perico, Jujuy, foi executado entre 2023 e 2024 um projeto que passou quase despercebido, mas que marcou um antes e um depois na gestão ambiental argentina.
A empresa MACS S.A., especializada em soluções ambientais, realizou o dragagem e a desidratação de lodos na Planta de Tratamento de Águas Residuais (PTAR) Finca El Pongo, resolvendo um desafio crítico: recuperar um sistema colmatado sem interromper o serviço para centenas de milhares de pessoas.
O desafio técnico
As lagoas de estabilização de El Pongo acumulavam décadas de sedimentos e vegetação aquática, reduzindo drasticamente sua capacidade de tratamento. Uma abordagem convencional teria obrigado a parar a planta, com riscos sanitários e ambientais.
A intervenção, financiada com mais de U$4,5 milhões do Banco de Desenvolvimento da América Latina e o Caribe (CAF), aplicou um sistema inovador que combinou tecnologia e operação em campo.
A metodologia aplicada
O processo incluiu:
- Colheitadeiras aquáticas para retirar vegetação superficial.
- Dragas hidráulicas de alta densidade para extrair lodos sedimentados com controle permanente.
- Condicionamento químico com coagulantes e floculantes para otimizar a separação sólido-líquido.
- Geodesecadores têxteis filtrantes, que retiveram os sólidos e devolveram a água filtrada ao sistema.
“Com esta tecnologia foi possível continuar com o tratamento da água residual sem interromper a operação da planta”, destacou Carlos Moreno, CEO da MACS S.A.

Marco normativo e reutilização
O projeto aplicou a Resolução MAyDS 410/18, que promove o manejo sustentável de barros e biossólidos. Sob este marco, os lodos tratados podem ser reutilizados como emenda de solos ou fertilizante orgânico, transformando resíduos em recursos.
O caso de El Pongo se tornou a primeira iniciativa deste tipo implementada sob essa normativa, assegurando condições operativas ótimas por pelo menos 20 anos.
Projeção nacional
A experiência inspirou novas intervenções:
- Em 2025, a MACS S.A. aplicou a mesma metodologia na lagoa anaeróbica de tratamento de esgoto de Gálvez, Santa Fe, contratada pela Aguas Santafesinas S.A.
- Atualmente, desenvolve a recuperação do sistema lagunar de Rufino, Santa Fe, consolidando um modelo replicável em outras províncias.
Aprendizados e desafios
O caso de El Pongo demonstra que é possível reabilitar infraestrutura crítica de saneamento sem interromper serviços essenciais. Também expõe um desafio pendente: muitas plantas de tratamento na Argentina enfrentam problemas de colmatação e requerem manutenção especializada. A experiência jujeña oferece um caminho viável, ambientalmente responsável e tecnicamente sólido.
A recuperação das lagoas de El Pongo é mais que uma obra de engenharia: é um marco ambiental e tecnológico que instala capacidades no país e abre a porta para soluções replicáveis em outros sistemas de saneamento.
Com inovação, normativa aplicada e cooperação institucional, a Argentina demonstra que pode enfrentar os desafios da água e do saneamento com uma boa gestão ambiental, eficiência e sustentabilidade.



