Uma descoberta surpreendente nas profundezas do oceano poderia mudar a compreensão sobre as cadeias alimentares. Descobriram aranhas marinhas, que se alimentam de bactérias que consomem metano.
Elas o fazem em um ecossistema extremo do leito marinho. Isso representa a primeira evidência de aranhas marinhas que dependem de bactérias metanotróficas para sua nutrição.
Uma dieta baseada em metano: assim são as aranhas marinhas
O estudo, publicado recentemente por cientistas do Museu Nacional de História Natural do Instituto Smithsonian e outras instituições internacionais, revela que as aranhas marinhas do gênero Pycnogonida não se alimentam de presas convencionais.
Neste caso, elas obtêm nutrientes diretamente de bactérias que prosperam em ambientes ricos em metano.
Assim são as aranhas marinhas. (Foto: @occidentalcollege).
Estas bactérias, conhecidas como metanotróficas, são capazes de utilizar metano como fonte de energia. Trata-se de um processo chave na regulação deste gás de efeito estufa nos oceanos.
As aranhas marinhas descobertas foram encontradas perto de vazamentos de metano subaquáticos, localizados em frente à costa oeste dos Estados Unidos, a mais de mil metros de profundidade.
As implicações ecológicas e climáticas
A descoberta tem importantes implicações ecológicas e climáticas. Essas espécies podem desempenhar um papel fundamental no controle do metano oceânico, contribuindo indiretamente para reduzir as emissões deste potente gás de efeito estufa para a atmosfera.
Além disso, esta descoberta amplia a compreensão científica sobre as formas de vida adaptadas a condições extremas. Como a alta pressão, a baixa temperatura e a escassez de luz solar.
As bactérias metanotróficas e os organismos que as consomem fazem parte de ecossistemas quimiossintéticos, onde a energia não vem do sol, mas de compostos químicos como o metano ou o sulfeto de hidrogênio.
Um ecossistema pouco explorado
Os ecossistemas do fundo marinho continuam sendo um dos territórios menos explorados do planeta.
Os mistérios do fundo marinho.
Investigações como esta revelam a existência de interações biológicas complexas e desconhecidas, que podem ser chave para entender a evolução da vida e o equilíbrio ambiental a nível global.
Os cientistas destacam que ainda há muito a descobrir sobre como esses organismos bentônicos interagem com seu ambiente e como podem ser afetados pela atividade humana, como a extração de hidrocarbonetos ou a mudança climática.



