A Universidad Nacional de San Luis (UNSL) avança na produção de uma “Cerveja Científica”, elaborada com levedura nativa de San Luis desenvolvida pelo Grupo GIDACER da Faculdade de Química, Bioquímica e Farmácia.
A iniciativa, aprovada pela Direção de Biodiversidade da Secretaria de Ambiente, busca visibilizar o potencial biotecnológico dos recursos locais e fortalecer o vínculo entre ciência e indústria.
Bioinsumos com identidade territorial
A levedura nativa de San Luis será utilizada em uma cerveja experimental sem fins comerciais.
O projeto faz parte do programa “Formulação de bioinsumos com microorganismos nativos”, e a cerveja será elaborada na cervejaria artesanal BABA (Buenos Aires).
Participam pesquisadores da UNSL, da Universidade Nacional do Comahue, do CONICET-IPATEC Bariloche e da Universidade Nacional de Jujuy. A apresentação oficial será durante o 1° Congresso da Agrupação Jovens Investigadores (AJI), nos dias 16 e 17 de outubro na Fundação Instituto Leloir.
“É uma grande oportunidade para mostrar o valor científico de San Luis e apoiar o setor tecnológico”, destacou o Dr. Gastón Fernández, referente do GIDACER.

Ciência, cerveja e sustentabilidade: o projeto BrewSelBar
Pesquisadores do CONICET desenvolvem cervejas funcionais a partir de resíduos industriais enriquecidos com selênio.
Paralelamente, o projeto BrewSelBar propõe transformar o bagaço cervejeiro (BSG) —subproduto rico em fibras— em um bioestimulante agrícola enriquecido com selênio, micronutriente essencial para a saúde humana.
O objetivo é melhorar a tolerância da cevada ao estresse climático e obter grãos biofortificados para produzir cervejas funcionais sem álcool.
Colaboração internacional e economia circular
O projeto reúne instituições da Argentina e Europa para reduzir resíduos e gerar valor nutricional.
Participam:
- Universidade Nacional de Mar del Plata
- Cervejaria Antares
- Universidades de Barcelona, Berlim e Dinamarca
- Sementes Battle (Espanha) e Redinn S.R.L (Itália)
“Aproveitar subprodutos evita emissões e contribui para a sustentabilidade agrícola”, explicou a pesquisadora María Gabriela Guevara (CONICET-UNMDP).
Selênio: um micronutriente chave para a saúde
A deficiência afeta uma em cada sete pessoas no mundo, e a Argentina não é exceção.
O selênio é fundamental para o sistema imunológico, mas sua presença nos alimentos depende da concentração nos solos. O bioestimulante busca enriquecer as culturas e melhorar a qualidade nutricional de produtos cotidianos.
Projeção e novos horizontes
A ciência cervejeira abre caminhos para produtos funcionais e modelos produtivos mais eficientes.
Ambos os projetos —a Cerveja Científica e BrewSelBar— visam fortalecer o vínculo entre ciência, indústria e sustentabilidade, transformando resíduos em insumos valiosos e divulgando o trabalho científico argentino.



