Tanzânia avança para a erradicação da raiva: um plano que articula ciência, políticas públicas e participação comunitária

Em 2025, Tanzânia tornou-se o primeiro país da África Oriental a obter a aprovação oficial de seu Plano Nacional de Controle da Raiva pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

Este reconhecimento marca um marco histórico na luta contra uma doença que ainda causa 1.500 mortes humanas por ano, principalmente devido a mordidas de cães.

Um plano estratégico com visão de erradicação

O objetivo é eliminar a transmissão da raiva canina em cinco anos por meio de ações integradas.

O plano, liderado pelos Serviços Veterinários da Tanzânia sob a direção do Dr. Benezeth Lutege Malinda, foi elaborado após três anos de planejamento estratégico. Reuniu autoridades locais, profissionais de saúde, ONGs, líderes comunitários e o setor privado em uma estratégia comum para interromper o ciclo de transmissão animal-humano.

“Queremos que em 2030 a Tanzânia esteja entre os países livres de raiva”, afirmou o Dr. Malinda.

Gestão canina e educação comunitária

Posse responsável, esterilização e campanhas educativas como pilares de prevenção.

A estratégia inclui:

  • Controle populacional de cães
  • Acesso a cuidados veterinários e vacinação
  • Sensibilização comunitária sobre prevenção e cuidado animal

Estas ações visam reduzir os casos humanos a quase zero, abordando a raiva desde sua origem zoonótica.

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Tanzânia dá um passo fundamental na erradicação da raiva

Parcerias público-privadas e cooperação internacional

O setor privado complementa a ação estatal e financia atividades-chave no terreno.

A criação da Organização de Saúde Animal da Tanzânia (TAHO) permitiu articular esforços entre o governo e empresas regionais. O setor privado financia campanhas de vacinação, esterilização e sensibilização, coordenadas por meio de um portal nacional.

“O governo nem sempre chega à base, mas o setor privado sim”, destacou o Dr. Malinda.

Infraestrutura e vigilância epidemiológica

Instalações de armazenamento e monitoramento permitem respostas rápidas a surtos.

A Tanzânia investiu em centros de conservação de vacinas — doadas ou adquiridas — para agir em situações de emergência. Além disso, a vigilância epidemiológica permite detectar áreas de alto risco e implementar ações focadas.

Um modelo replicável para outras doenças zoonóticas

O sucesso no controle da peste bovina inspira novas metas de saúde.

A Tanzânia já conseguiu a erradicação da peste bovina com o apoio da OMSA e agora está se preparando para enfrentar a peste dos pequenos ruminantes (PPR).

A experiência acumulada fortalece sua capacidade institucional e gera confiança internacional.

Apelo à ação regional

A aprovação oficial impulsiona novas parcerias, investimentos e mudanças de política.

“Recomendo aos meus colegas: preparem seu dossiê. Não é fácil, mas vale a pena”, expressou o Dr. Malinda.

A certificação da OMSA motiva profissionais, governos e parceiros globais e posiciona a Tanzânia como exemplo de liderança sanitária na África.

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