O Parque Nacional Iberá recebe 5 exemplares de Mutum para fortalecer esta espécie ausente em Corrientes por 40 anos.

Corrientes voltou a fazer história na conservação da fauna nativa. Cinco exemplares de muitu (Crax fasciolata), uma ave que estava extinta na Argentina há mais de quatro décadas, foram transferidos do Parque de la Biodiversidad de Córdoba para o Gran Parque Iberá.

A iniciativa faz parte do Programa de Conservação do Muitu, impulsionado pela Fundação Rewilding Argentina e pelo Ente Municipal BioCórdoba. Esse esforço marca um novo capítulo na restauração ecológica do Iberá, pois o retorno dessas aves reforça o objetivo de recuperar os equilíbrios naturais perdidos nos ecossistemas do nordeste argentino.

O muitu, também conhecido como pavão ou jacu, é uma ave galiforme de grande porte que habita tradicionalmente matas e florestas do centro e norte da América do Sul, incluindo regiões da Bolívia, Paraguai e Brasil. Na Argentina, desapareceu no final do século XX, principalmente devido à caça e à perda de habitat causada pela desflorestação.

Após décadas de ausência, seu retorno representa um passo fundamental para a restauração ambiental. Os cinco filhotes foram criados em condições controladas, seguindo os protocolos da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Após uma quarentena de quatro meses em Corrientes, começaram a fase de pré-soltura, na qual aprendem a reconhecer sons, alimentos e abrigos naturais antes de serem libertados.

Cinco exemplares de muitu voltam a Corrientes, após 40 anos. Foto: Buenos Aires Ciudad.
Cinco exemplares de muitu voltam a Corrientes, após 40 anos. Foto: Buenos Aires Ciudad.

O papel ecológico do muitu nas florestas do Iberá

O muitu desempenha uma função essencial no ecossistema: é um dispersor natural de sementes. Alimentando-se de frutos silvestres, ao deslocar-se pela floresta, ajuda a regenerar a vegetação nativa. Esse processo de dispersão é vital para manter a estrutura e a diversidade da floresta, favorecendo o crescimento de novas plantas e garantindo alimento para outras espécies.

O desaparecimento do muitu na Argentina afetou silenciosamente o equilíbrio das florestas do nordeste. Sem sua atuação, muitas árvores perderam seu principal meio de dispersão, o que reduziu a capacidade de regeneração natural. Recuperar o muitu significa, portanto, reativar um elo fundamental da cadeia ecológica.

Seu retorno também atua como um indicador de saúde ambiental. Um ambiente capaz de sustentar essa espécie — que necessita de cobertura vegetal densa, alimento abundante e tranquilidade — reflete a eficácia das políticas de restauração implementadas no Iberá.

A presença do muitu não apenas beneficia a flora, mas também melhora as condições para outros animais. À medida que as plantas nativas se regeneram, são criados refúgios e fontes de alimento para aves, mamíferos e insetos, fortalecendo a biodiversidade como um todo.

Cinco exemplares de muitu voltam a Corrientes, após 40 anos. Foto: Más Azul Planeta.
Cinco exemplares de muitu voltam a Corrientes, após 40 anos. Foto: Más Azul Planeta.

Uma libertação que representa o renascimento de uma espécie

A libertação desses cinco exemplares vai além de uma ação simbólica. Representa a conclusão de anos de trabalho entre instituições públicas e privadas para reverter a perda de biodiversidade. O Parque Iberá, transformado em um laboratório natural de conservação, demonstra que as espécies podem retornar se os ecossistemas que as sustentam forem restaurados.

Além disso, o retorno do muitu abre portas para novas oportunidades de desenvolvimento sustentável para as comunidades locais. O ecoturismo, a educação ambiental e a pesquisa científica encontram na conservação um motor de crescimento compatível com a natureza.

Após mais de 40 anos, o canto do muitu volta a ecoar nas matas correntinas. Seu retorno simboliza a resiliência da vida selvagem e o compromisso de uma província que apostou em devolver ao país parte de sua riqueza natural. Restaurar essa espécie não significa apenas recuperar uma espécie: é reconstruir um equilíbrio que beneficia todo o ecossistema do Iberá.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

A Justiça confirma a transferência do chimpanzé Toti: do isolamento na Argentina à reabilitação no Reino Unido

A Justiça argentina confirmou a transferência do chimpanzé Toti...

Bem-sucedido retorno ao mar de um elefante-marinho em San Clemente del Tuyú após reabilitação

Um exemplar juvenil de Elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi devolvido...

Corrientes celebra o nascimento do jaguar número 50 em liberdade, um retorno histórico no Parque Nacional Iberá

A Fundação Rewilding Argentina anunciou o nascimento de um...