Conhecido localmente como “cachuda amarela”, o Sphyrna corona é uma espécie rara e pouco estudada de tubarão-martelo que se encontra em Perigo Crítico de extinção.
Sua população diminuiu em mais de 80% nas últimas três décadas, segundo a UICN, e em países como o México é considerada localmente extinta. No entanto, no Pacífico colombiano, esta espécie ainda é registrada com frequência.
Um refúgio biocultural no Chocó Biogeográfico
O Parque Nacional Natural Uramba Bahía Málaga protege habitats chave e é gerido junto a comunidades afrocolombianas.
Este parque marinho, declarado área protegida em 2010 por iniciativa dos conselhos comunitários afrocolombianos, abrange 479 km² e abriga mais de 1.300 espécies registradas.
Seus ecossistemas incluem manguezais, praias, penhascos, ilhas rochosas e planícies de lama, tornando-o um laboratório natural para a conservação marinha.

Ciência colaborativa para conservar a cachuda amarela
Pescadores e biólogos trabalham juntos para estudar e proteger o menor tubarão-martelo do planeta.
Entre 2022 e 2023, embarcações artesanais se transformaram em laboratórios móveis, onde pescadores capturavam tubarões e cientistas implantavam chips de telemetria acústica para rastrear seus movimentos.
No primeiro ano, foram traçados os deslocamentos de 27 indivíduos adultos, revelando que se movem em espaços reduzidos, o que permitiu acordar zonas voluntárias de conservação e não pesca.
“Todos os componentes para um projeto exitoso a longo prazo estão presentes em Bahía Málaga”, afirmam os pesquisadores.
Segunda fase: monitoramento liderado pelas comunidades
Mais de 50 jornadas de navegação permitiram identificar 160 tubarões e registrar fêmeas grávidas.
Desde 2024, o monitoramento é realizado pelas comunidades locais, que navegam semanalmente para capturar, marcar e liberar tubarões. Este processo gerou dados valiosos sobre reprodução, abundância e diversidade, e fortaleceu o compromisso local com a conservação.
Novas perguntas e ferramentas científicas
Isótopos estáveis e estudos de vértebras para entender a ecologia da espécie.
Os pesquisadores começaram a analisar amostras de vértebras para estudar variáveis ecológicas como a dieta e o habitat, mediante o uso de isótopos de carbono e nitrogênio.
Também se busca compreender a origem da cor amarela da espécie e seu estado de saúde populacional.
Um hotspot de tubarões-martelo no Pacífico colombiano
Bahía Málaga abriga quase metade da diversidade mundial de tubarões-martelo.
Além do Sphyrna corona, foram identificadas outras espécies como Sphyrna media, Sphyrna tiburo e exemplares juvenis de Sphyrna lewini, o que torna esta zona um epicentro de biodiversidade marinha.
Foto de capa: Emilio Posada



