Cada 6 de novembro é celebrado na Argentina o Dia dos Parques Nacionais, uma data que lembra a doação de 7.500 hectares no lago Nahuel Huapi realizada em 1903 pelo perito Francisco Moreno, gesto que deu origem à atual Administração de Parques Nacionais (APN).
Este aniversário encontrou a rede de áreas protegidas do país —composta por 55 territórios, dos quais 39 são parques nacionais— em um contexto marcado por cortes orçamentários próximos a 30%, segundo o projeto de orçamento 2026 apresentado pelo Poder Executivo.
Um orçamento insuficiente para as áreas protegidas
A verba destinada a Parques Nacionais para 2026 ascende a 111.459 milhões de pesos, o que representa um aumento nominal de 14% em relação aos 97.769 milhões de pesos vigentes em 2025. No entanto, a Fundação Ambiente e Recursos Naturais (FARN) adverte que este incremento não é suficiente para cobrir as perdas acumuladas nos fundos destinados às áreas naturais protegidas.
Em termos reais, considerando a inflação, o aumento seria de apenas 0,08%, o que não compensa as quedas registradas em anos anteriores.
Quedas sucessivas nas verbas
Desde 2023, o orçamento nacional vem sendo prorrogado sem novas leis aprovadas. Nesse contexto, as verbas para Parques Nacionais sofreram quedas significativas:
- 2024: redução de 34%.
- 2025: redução de 29,2%.
- 2026: redução projetada de 28,5%.
Além disso, existem verbas denominadas “erogaciones figurativas”, sob a órbita da Chefia de Gabinete, que somam 118.026 milhões de pesos. No entanto, ao não estarem desagregadas, não se sabe que proporção corresponde efetivamente a Parques Nacionais, já que também são distribuídas entre o Indec e o Tesouro Nacional.

Discricionariedade e monitoramento de fundos ambientais
A decisão de prorrogar o orçamento 2023 concede ao Poder Executivo uma maior discricionariedade para modificar verbas, o que permite realocar fundos não utilizados para outras áreas mediante decretos de necessidade e urgência (DNU), decisões administrativas ou leis.
Diante deste cenário, a FARN decidiu monitorar mais de perto as verbas ambientais, não apenas para saber quanto é destinado às áreas protegidas, mas também para avaliar como o governo responde a emergências específicas, como os incêndios florestais.
As verbas ambientais, as mais castigadas
Segundo a análise da FARN, as verbas ambientais foram as mais afetadas no orçamento 2025 em comparação com o projeto de 2024, com quedas que oscilaram entre 34% e 81%.
Este panorama gera preocupação sobre a capacidade da APN para cumprir com sua missão de conservar a biodiversidade, proteger habitats críticos e garantir a gestão sustentável dos parques nacionais, especialmente em um contexto de crise climática e crescente pressão sobre os ecossistemas.
Um aniversário com desafios
O Dia dos Parques Nacionais lembra o legado de Francisco Moreno e a importância das áreas protegidas como patrimônio natural e cultural da Argentina. No entanto, o aniversário de número 122 chega em um momento de restrições orçamentárias que colocam em risco a gestão e conservação desses espaços.
A discussão sobre o financiamento dos parques nacionais torna-se central para garantir que a rede de áreas protegidas continue sendo um pilar da identidade ambiental do país, capaz de enfrentar os desafios do presente e do futuro.



