Parques Nacionais: preocupação com a nova desregulamentação que facilita a exploração turística em áreas protegidas

Esta semana, o Governo finalmente implementou uma profunda desregulamentação da Administração de Parques Nacionais que já havia antecipado no início do ano.

As novidades introduzidas agora mudam as regras do jogo para os serviços turísticos em áreas protegidas, dado que simplificarão sua exploração.

Além disso, também se retira valor ao trabalho dos guias especializados, cuja contratação já não será obrigatória em zonas protegidas.

Segundo o discurso oficial, a desregulamentação em Parques Nacionais promete agilizar trâmites para operadores privados de serviços turísticos, com maiores facilidades para oferecer diferentes serviços.

No entanto, a norma gera uma forte oposição de guardas-parques e guias profissionais por sua pouca consciência ambiental.

A Resolução 62/2025, cuja implementação definitiva começou em março, foi a que estabeleceu as bases do novo sistema.

E, nesta terça-feira, entrou em vigor uma nova resolução que modifica aspectos chave do regulamento para “agilizar processos” e permitir uma “implementação mais simples”: a 359/2025.

Parques nacionais em risco pela flexibilização que permite a construção neles. Foto: Patagônia Argentina.
Parques nacionais em risco pela flexibilização do Governo. Foto: Patagônia Argentina.

Parques Nacionais: o que muda com a desregulamentação do Governo

Em primeiro lugar, esta semana foi confirmada a digitalização total dos trâmites para permissões de prestadores turísticos através da plataforma Trámites a Distancia (TAD).

Graças a isso, os prestadores privados agora poderão solicitar permissões online, eliminando as “licitações eternas” que o Governo critica.

A nova desregulamentação do turismo em Parques Nacionais introduz dois tipos de habilitações: simplificada e padrão.

A primeira aplica-se a atividades de baixo impacto com máximo de 15 pessoas, sem motor em embarcações e apenas infraestrutura desmontável menor que 30 m².

As atividades sob habilitação simplificada já não requerem apresentar estudos de impacto ambiental.

Assim informou o ministro de Desregulamentação estatal, Federico Sturzenegger, que celebrou as mudanças através de suas redes sociais.

“Para as atividades que entram sob o trâmite simplificado, elimina-se a necessidade de apresentar o estudo de impacto ambiental“, detalhou.

Entre as atividades simplificadas, encontram-se:

  • aluguel de caiaques;
  • barcos a remo;
  • bicicletas;
  • excursões de trekking de baixa dificuldade;
  • venda ambulante, e;
  • serviço fotográfico.

A habilitação padrão, em contrapartida, aplica-se a operações que superem os 15 visitantes ou requeiram infraestrutura de maior complexidade. Estas sim deverão apresentar um relatório técnico de impacto ambiental.

O debate sobre os guias profissionais

A mudança mais polêmica é a eliminação da obrigatoriedade geral de contratar guias habilitados.

Agora, estes só serão requeridos para atividades de “alto risco”, o que os retira da imagem em milhares de situações onde sua fiscalização para o cuidado ambiental e do turista também é fundamental.

A lista de atividades que mantêm a exigência de guias inclui:

  • Excursões de mergulho e rafting;
  • Trekking de dificuldade média e alta montanha;
  • Escalada e atividades sobre gelo;
  • Excursões a cavalo e pesca;
  • Caiaques de travessia.

Para Sturzenegger, a obrigatoriedade anterior era “tão absurda quanto pedir que quem visita um museu deva fazê-lo obrigatoriamente com guia”.

Segundo o Governo, esta desregulamentação de Parques Nacionais busca “reduzir custos e aumentar a concorrência”.

No entanto, o setor não vê isso com bons olhos: desde o ramo de Parques Nacionais do sindicato de estatais ATE, as críticas não tardaram em chegar.

Os guias de turismo são profissionais, não são uma opção… os parques nacionais são áreas agrestes”, manifestaram.

Além disso, alertaram sobre o risco de ter “centenas de pessoas sozinhas em parques como Glaciares, Iguazú, Nahuel Huapi, Lanín“.

O sindicato considera que os guias “são agentes de conservação multiplicadores de nossas mensagens de conservação”, um papel que vai além do acompanhamento turístico.

Avistagem de aves em Parques Nacionais
Avistagem de aves em Parques Nacionais. Fonte: APN.

O caso do Glaciar Perito Moreno e a “celebração” de Sturzenegger

Ao celebrar a medida em suas redes sociais, o ministro Sturzenegger utilizou o Glaciar Perito Moreno como exemplo para justificar a reforma.

O funcionário denunciou que “há anos as atividades sobre uma de nossas maravilhas naturais mais majestosas estão nas mãos de um único operador“.

O ministro apontou que a situação levou a “preços exorbitantes“, o que fazia com que “o glaciar fosse percorrido pelos turistas brasileiros ricos enquanto que milhares de argentinos não podiam acessar“.

Segundo seus dados, de 500.000 pessoas que visitam o Parque Nacional Los Glaciares apenas 50.000 podem arcar com a caminhada pelo glaciar.

O ideal é que todos possam fazê-lo”, afirmou. Esta é a frase que hoje alarma os especialistas ambientais por uma maior liberdade de exploração das áreas protegidas.

Com a nova normativa, “qualquer interessado pode apresentar seu próprio projeto para oferecer atividades tanto na face norte quanto na face sul”, destacou Sturzenegger.

A regulamentação está desenhada “para que mais prestadores possam se juntar, sem barreiras, sem privilégios”.

Por isso, o ministro encerrou com uma convocação a empresários que preocupa: “Esperamos vocês para que, trabalhando com Parques Nacionais, possam oferecer muitos mais serviços e a preços muito mais acessíveis que os hoje vigentes”.

Uma batalha judicial pelo cuidado dos Parques Nacionais

A Associação de Guias de Turismo de Santa Cruz (Aguisac) apresentou um mandado de segurança em abril contra a APN.

Embora tenha sido rejeitado em primeira instância, a apelação recebeu apoio da promotoria de câmara em agosto.

O parecer fiscal reconheceu que “a desregulamentação impulsionada por Parques Nacionais viola direitos ambientais, enfraquece a segurança dos visitantes e contradiz compromissos internacionais assumidos pela Argentina”, segundo divulgou Aguisac.

“Nosso papel como guias não é apenas acompanhar turistas: é educar, prevenir riscos e proteger o patrimônio natural e cultural de todos”, argumentou a entidade.

O governo defende que a desregulamentação de Parques Nacionais permitirá novas atividades como “yoga, meditação ou voos em balão de ar quente”.

Agora, as permissões vigentes serão prorrogadas automaticamente até maio de 2026 para facilitar a transição na alta temporada.

As autoridades projetam que a maior oferta de prestadores privados começará a impactar nas próximas semanas, com eventual redução de preços por concorrência.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Uma rede de monitoramento transforma a proteção ambiental em Galápagos com a criação de uma “ilha inteligente”

A ilha Floreana, localizada no arquipélago de Galápagos, avança...

A Grande Muralha Verde: 11 países africanos lutam contra a desertificação

Durante quase vinte anos, África tem estado comprometida com...

Mulheres no Marrocos transformam neblina em água potável para 1000 pessoas

No sudoeste de Marrocos, um projeto inovador resolve a...

Fraude do ouro ilegal na Amazônia: representa mais de $3,3 bilhões e representa um risco ambiental

O comércio ilegal de ouro na Amazônia está gerando...