Com originalidade, empenho e audácia, empreendedores se voltam para um recurso alimentício que tem um perfil altamente nutritivo. A semente de cânhamo.
Esta planta está envolta em uma polêmica acirrada quanto ao seu uso, embora seja importante lembrar que na Argentina foi regulamentado o uso do cânhamo no ano de 2023 através da Lei 27669. E que, além disso, já estão inscritas no Código Alimentar como sementes comestíveis.
No entanto, apesar dessas questões muito favoráveis, é difícil apostar em uma matéria-prima escassa no país e com uma carga negativa por ser desconhecida. Apesar disso, há pessoas que se arriscam pelo que entendem que é bom.

É assim que PureHemp, empreendimento familiar produtivo, localizado em Colonia Caroya, Córdoba, está cultivando, transformando e processando toda a planta de cânhamo. Inclusive as sementes. Tudo de maneira agroecológica, com rastreabilidade e consciência.
Eles têm no mercado uma vasta gama de produtos como farinha, óleo, erva-mate, bálsamo, extrato, etc. E desde outubro passado obtiveram os registros e certificações nacionais que dão autorização para comercializar os produtos alimentícios de cânhamo.
É completamente um marco, já que são os primeiros no país a fazê-lo. “A agricultura familiar é muito mais do que produzir: é um modo de vida e uma aposta no futuro. Na PureHemp fazemos parte dessa tradição e levamos isso no coração.

Sabemos o que significa semear, esperar, colher e transformar. Sabemos que cada alimento guarda em si a história de uma família, de uma equipe e de um compromisso. Hoje celebramos nossas raízes e olhando para frente, com a certeza de que a agroecologia é o caminho.” Assim comentam seu trabalho em suas redes.
Outro empreendimento que se junta é Piola, uma cafeteria no centro de La Plata, capital de Buenos Aires. Eles têm no seu menu a opção de confeitaria com cânhamo. Mas vão além de oferecer produtos saborosos e saudáveis, pois também querem demonstrar, a nível científico/acadêmico, quão nutritivas são suas receitas com cânhamo.

“Nós o que queremos fazer com a UTN é que nos permitam identificar o que têm nossos produtos, quanto têm de proteína, quanto de ômegas, quanto têm de todas as propriedades que a planta e a semente oferecem.” Assim descreve Ezequiel Uhrig, sócio fundador de Piola.
Entende-se que não se trata apenas de oferecer um cardápio com pratos e lanches, mas que estão elevando a parte educacional em torno do cânhamo. “A ideia de fazer isso com a UTN surgiu para poder pegar e fazer um produto de confeitaria embalado, seja um alfajor que era a primeira ideia, ou fazer também bolos e biscoitos.

Fomos à UTN e nos explicaram tudo o que temos que fazer, então, bem, temos que adaptar nosso centro de produção.” Desta forma, Ezequiel explica o caminho a seguir. “Como sempre, Piola busca com isso colocar um produto de cânhamo no mesmo lugar que um produto de confeitaria premium. E agora vamos lançar um panetone de cânhamo.” Conclui.
Não basta comentar e enumerar as qualidades da planta de cânhamo. E que como alimento são muitas (ricas em proteínas, aminoácidos essenciais, alta em fibras, ômega, etc.). Também é necessário agir e se envolver ativamente. É primordial colocar as mãos na terra ou na massa… e fazer.
Por: German Pereira (RecetasCañameras)



