Geleiras em perigo: um estudo internacional alerta que o planeta se aproxima do “pico de extinção”

Os glaciares do planeta estão derretendo a um ritmo sem precedentes e, em algumas regiões, estão prestes a desaparecer para sempre.

Entre 2033 e 2041 prevê-se que o retrocesso se acelere mais do que nunca nos Alpes, enquanto que a nível mundial o pico máximo de desaparecimento ocorrerá por volta de 2055, com a perda de entre 2.000 e 4.000 glaciares por ano.

Cenários de aquecimento e sobrevivência mínima

As projeções realizadas pela Escola Politécnica Federal de Zurique (ETH), o Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal, Nivológica e Paisagística (WSL) e a Universidade Livre de Bruxelas, mostram que o futuro dos glaciares depende diretamente da magnitude do aquecimento global:

  • Com um aumento de 1,5 °C, sobreviveria 12 % dos glaciares alpinos (cerca de 430 dos 3.000 atuais).
  • Com 2 °C, restaria apenas 8 % (aproximadamente 270 glaciares).
  • Com 4 °C, apenas 1 % (cerca de 20 glaciares).

Na Europa Central, se a temperatura subir 2,7 °C, para 2100 restarão apenas 110 glaciares, 3 % do total. Com 4 °C, sobreviveriam apenas 20.

Impacto global: Andes, Montanhas Rochosas e Ásia Central

A vulnerabilidade não se limita aos Alpes. O estudo revela perdas massivas em outras cadeias montanhosas:

  • Montanhas Rochosas: dos 18.000 glaciares atuais, apenas 4.400 sobreviveriam com 1,5 °C (25 %). Com 4 °C, restariam apenas 101 (perda de 99 %).
  • Andes: sobreviveria 43 % com 1,5 °C, mas com 4 °C restariam apenas 950 glaciares (perda de 94 %).
  • Ásia Central: dos atuais, sobreviveriam 2.500 com 4 °C, uma diminuição de 96 %.

Em geral, com um aumento de 4 °C restariam apenas 18.000 glaciares em todo o planeta, em comparação com os 100.000 que resistiriam com 1,5 °C.

O conceito de “pico de extinção”

Os pesquisadores introduzem o termo “pico de extinção de glaciares”, que marca o momento em que o número de glaciares desaparecidos em um único ano atinge seu máximo.

  • Com 1,5 °C, o pico ocorreria em 2041, com cerca de 2.000 glaciares desaparecendo em um ano.
  • Com 4 °C, o pico chegaria em 2055, com até 4.000 glaciares perdidos em um único ano.

Embora após esse pico a taxa anual de desaparecimento diminua, a perda continuará porque a maioria dos pequenos glaciares já terá desaparecido.

Glaciares no Chile. Fonte Visit Chile.
Glaciares no Chile. Fonte Visit Chile.

Consequências ambientais, sociais e culturais

Os glaciares não são apenas reservas de água doce e reguladores climáticos, também têm um significado cultural e espiritual em muitas comunidades e atraem milhões de visitantes todos os anos. Seu desaparecimento afetará:

  • O fornecimento de água em regiões dependentes de degelos.
  • O turismo em vales e parques naturais.
  • A biodiversidade e os ecossistemas de montanha.
  • A memória cultural e espiritual de comunidades ligadas a essas paisagens.

Preservar a memória dos glaciares

A equipe da ETH participa de iniciativas como a Lista Global de Vítimas de Glaciares, que busca preservar os nomes e as histórias dos glaciares perdidos, como os casos de Birch e Pizol.

“Cada glaciar está ligado a um lugar, uma história e às pessoas que sentem sua perda”, afirmou Lander Van Tricht, autor principal do estudo.

O estudo destaca a urgência de uma ação climática ambiciosa. Cada décimo de grau conta para frear o declínio. Como afirmou Daniel Farinotti, coautor e professor de Glaciologia da ETH:

“Os resultados destacam a urgência de uma ação climática ambiciosa”.

O desaparecimento dos glaciares é um lembrete de que a mudança climática não é um fenômeno abstrato: afeta diretamente a água, a cultura, o turismo e a vida de milhões de pessoas.

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