Durante o mês passado, a caça furtiva no Parque Nacional Iberá se intensificou, com a presença reiterada de caçadores armados.
A situação coincidiu com a redução de guardas-parques e o fechamento do acesso público à área.
Inclusive, vídeos tomados no Portal San Nicolás conseguiram detectar três pessoas a cavalo portando armas de fogo e armas brancas.
Os caçadores transportavam animais nativos mortos, como capivaras e tatus, produto da atividade ilegal.
A caça furtiva em Iberá, uma ameaça direta às espécies protegidas
A caça furtiva em Iberá representa um perigo concreto para espécies de alto valor de conservação.
É que, além das vítimas de capivaras e tatus detectadas, há alerta pela possibilidade de que os caçadores furtivos danifiquem espécies protegidas que se encontram em Iberá, como:
- onças-pintadas;
- veados-campeiros;
- tamanduás-bandeira, e;
- queixadas.

Em particular, na área é conhecida a presença de pelo menos sete onças-pintadas, dentro de uma população provincial que supera os 45 indivíduos monitorados.
Agora, a presença de pessoas armadas e matilhas de cães constitui uma ameaça direta para essas espécies protegidas.
O Portal San Nicolás funciona como um setor chave para a conectividade ecológica e espécies ameaçadas ou reintroduzidas através de programas de restauração utilizam o território.
Por isso, a ameaça dos caçadores furtivos nesta zona de Iberá é ainda mais grave.
Fechamento de acesso e falta de controle
Desde dezembro, o caminho de acesso ao portal permanece fechado com cadeados ao público, o que simplifica a caça furtiva em Iberá.
O traçado atravessa uma propriedade privada com servidão de passagem, que deveria ser mantida habilitada.
No entanto, o proprietário decidiu fechar a porteira, impedindo o ingresso de visitantes a trilhas, mirantes e ao porto.
Essa restrição afeta diretamente o turismo de natureza durante a temporada alta e facilita o ingresso ilegal de caçadores.
À restrição se soma também a ausência de pessoal de controle permanente.
É que, até há pouco tempo, um guarda-parque estava radicado no portal de forma constante. No entanto, sua transferência para o centro urbano deixou o setor sem autoridades estáveis.

As autoridades locais exigem medidas urgentes
Após confirmar a presença de caçadores furtivos na zona protegida, o secretário de Turismo de San Miguel, Mariano Escobar, qualificou a situação em Iberá como “grave”.
O funcionário também destacou a ausência total de inspetores de Fauna e Flora na zona: “Só contamos com um comissário e pouco pessoal policial, o que é insuficiente”, alertou.
Frente a isso, Escobar explicou que a Prefeitura, o Governo provincial e a Administração de Parques Nacionais tentam coordenar ações.
No entanto, advertiu que os recursos atuais não são suficientes para controlar a caça furtiva em Iberá.
O funcionário afirma que a caça ilegal se intensificou no contexto da crise econômica.
“Cada vez mais visitantes vêm a Iberá para desfrutar da fauna silvestre. Isso afeta inúmeras famílias que dependem do turismo“, destacou.
Por sua vez, a intendente do Parque Nacional Iberá, Gimena Martínez, destacou que a caça furtiva “não é um fenômeno novo” em Corrientes, mas que isso responde a práticas enraizadas na região.
Diante deste cenário, Martínez assegurou que Parques Nacionais realiza as denúncias correspondentes perante a Justiça.
“Realizam-se patrulhas e rondas permanentes dentro do parque e trabalha-se de maneira constante contra a caça ilegal“, afirmou.
Mas, hoje, a combinação de caça furtiva, restrições de acesso e diminuição de presença institucional enfraquece o modelo de conservação e turismo sustentável que propõe Iberá.
Autoridades e comunidade clamam por uma resposta urgente e coordenada para preservar a área protegida.



