A União Europeia endurece as penas por crimes ambientais: até 10 anos de prisão e multas milionárias

Desde esta quinta-feira, os Estados membros da União Europeia devem adaptar suas leis nacionais à Diretiva sobre Crimes Ambientais (2024/1203), aprovada em abril de 2024.

A normativa amplia a lista de crimes contra o meio ambiente e estabelece penas de até 10 anos de prisão para as infrações mais graves que provoquem a morte de uma pessoa.

A medida responde ao aumento de atividades ilícitas altamente lucrativas, muitas vezes vinculadas ao crime organizado, e busca reforçar a proteção ambiental mediante o direito penal.

Novas categorias de crimes

A diretiva incorpora condutas que antes não estavam tipificadas:

  • Reciclagem ilegal de navios.
  • Extração ilegal de água.
  • Infrações graves com substâncias químicas e mercúrio.
  • Crimes vinculados a gases fluorados de efeito estufa.
  • Comércio ilegal de madeira.
  • Danos substanciais a ecossistemas protegidos.
  • Poluição provocada por navios.
  • Introdução de espécies invasoras.

Além disso, é introduzido o conceito de “crime qualificado”, aplicável a casos de destruição generalizada ou danos duradouros ao meio ambiente.

Penas e sanções

  • Até 10 anos de prisão: quando o crime ambiental causar a morte de uma pessoa.
  • Até 8 anos: para os crimes qualificados mais graves.
  • Até 5 anos: para outras infrações.
  • Multas empresariais: entre 3% e 5% do faturamento mundial anual ou até 40 milhões de euros.

As empresas também poderão ser sancionadas com a revogação de permissões, exclusão de financiamento público e a obrigação de restaurar o ambiente danificado.

Formação e recursos

A diretiva exige que juízes, promotores, inspetores e policiais especializados contem com formação e recursos adequados. Também prevê apoio para defensores ambientais envolvidos em procedimentos penais.

crimes ambientais
A nova Diretiva sobre crimes ambientais na UE impõe sanções severas para proteger o meio ambiente e a vida.

Adaptação nacional e atrasos

Embora o prazo legal tenha expirado esta quinta-feira, alguns países ainda não transcreveram a diretiva. Entre eles está Espanha, cuja demora foi criticada pela WWF:

“A proteção do meio ambiente não pode ficar em declarações políticas. Sem leis atualizadas, recursos suficientes e tribunais especializados, muitos crimes ambientais continuarão impunes”.

A Comissão Europeia poderia iniciar procedimentos de infração contra os Estados que não cumprirem.

Importância da harmonização

A nova normativa é chave por vários motivos:

  • Harmonização europeia: amplia o catálogo de crimes de 9 para 18 e evita “paraísos legais”.
  • Penas severas e dissuasivas: comparáveis ao conceito de “ecocídio”, embora não seja mencionado explicitamente.
  • Responsabilidade empresarial: sanções econômicas e medidas adicionais para garantir a reparação do dano.
  • Proteção global: reconhece que os crimes ambientais são transnacionais e afetam cadeias de suprimento internacionais.

A Diretiva sobre Crimes Ambientais marca um marco na política penal europeia, ao passar de simples multas a consequências dissuasivas reais. Sua implementação busca frear a impunidade, proteger ecossistemas estratégicos e garantir que as empresas e pessoas responsáveis por danos ambientais enfrentem sanções proporcionais à gravidade de seus atos.

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