O Rio da Prata emerge como uma alternativa estratégica para impulsionar a energia eólica no coração da AMBA

O Rio da Prata poderia se tornar uma nova fonte de energia renovável para uma das regiões mais populosas da Argentina. Pesquisadores da Universidade Nacional de La Matanza avançam em um estudo destinado a avaliar o potencial eólico do estuário e sua capacidade para abastecer de eletricidade a Cidade Autônoma de Buenos Aires e a Grande Buenos Aires.

A iniciativa é impulsionada por especialistas do Departamento de Engenharia e Pesquisas Tecnológicas da UNLaM, que analisam o comportamento das correntes de ar que entram do oceano Atlântico para o amplo sistema fluvial.

Devido à sua enorme extensão e à sua conexão direta com o mar, o Rio da Prata apresenta características naturais que poderiam favorecer o desenvolvimento de parques eólicos capazes de gerar energia limpa em grande escala.

O Rio da Prata emerge como uma alternativa estratégica para impulsionar energia eólica no coração do AMBA.

Uma oportunidade energética perto dos grandes centros urbanos

Ao contrário de outros projetos renováveis localizados em regiões afastadas, esta proposta possui uma vantagem estratégica: a proximidade aos principais centros de consumo elétrico do país.

Nas costas do Rio da Prata concentram-se importantes núcleos urbanos e industriais como a Cidade de Buenos Aires, La Plata e grande parte da Área Metropolitana de Buenos Aires, onde milhões de pessoas demandam energia diariamente.

Além disso, a proximidade entre geração e consumo permitiria reduzir perdas durante o transporte de eletricidade e otimizar a eficiência do sistema energético regional.

Pesquisa científica para medir o recurso eólico

O projeto, denominado “Estudo do potencial eólico no litoral fluvial da Cidade de Buenos Aires e da Grande Buenos Aires”, apoia-se em uma análise exaustiva de dados meteorológicos.

Para isso, os pesquisadores recolheram informações provenientes de estações climáticas e processaram registros obtidos durante onze anos consecutivos pelo Serviço Meteorológico Nacional.

Posteriormente, por meio de ferramentas matemáticas e estatísticas, avaliaram velocidades predominantes do vento, frequências, direções e períodos de calmaria para determinar a viabilidade técnica de futuros empreendimentos energéticos.

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O Rio da Prata emerge como uma alternativa estratégica para impulsionar a energia eólica no coração do AMBA.

Resultados encorajadores para o desenvolvimento de parques eólicos

Os primeiros resultados mostram um cenário favorável. As velocidades médias registradas em alguns setores apresentam valores comparáveis com regiões da Espanha reconhecidas internacionalmente por seu elevado aproveitamento eólico.

No entanto, apesar dessas condições favoráveis, a área ainda não conta com parques eólicos operativos de grande escala. Uma das exceções é o projeto La Escondida, aprovado em 2024 no Partido de Punta Indio, que prevê uma potência instalada de 158 MW.

Por isso, os especialistas consideram que esta iniciativa poderia se tornar um ponto de partida para futuros desenvolvimentos energéticos sobre a margem bonaerense.

Os benefícios ambientais da energia eólica

A expansão da energia eólica representa uma ferramenta chave para diminuir a dependência de combustíveis fósseis como o gás, o carvão e os derivados do petróleo, responsáveis por importantes emissões de gases de efeito estufa.

Além disso, a geração mediante aerogeradores não produz poluição atmosférica durante seu funcionamento e requer uma quantidade mínima de água em comparação com outras tecnologias energéticas convencionais.

Por outro lado, uma fazenda eólica marinha de 20 MW poderia evitar emissões equivalentes às geradas por cerca de 18.000 automóveis com consumo médio anual de combustível, contribuindo para melhorar a qualidade ambiental e reduzir o impacto das mudanças climáticas.

Enquanto a Argentina continua ampliando a participação das energias renováveis, que já superam 19% da demanda elétrica nacional, pesquisas como a desenvolvida no Rio da Prata abrem novas oportunidades para construir um sistema energético mais sustentável, eficiente e compatível com os desafios ambientais do futuro.

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