Ferramenta inovadora da Kerno Geo mapeia raízes e troncos de c no Brasil com tecnologia geofísica

Em Brasil, o manejo efetivo das árvores urbanas é crucial para garantir a segurança e o bem-estar dos cidadãos, bem como a proteção das propriedades nas cidades. Realizar uma avaliação precisa do estado de saúde e estabilidade dessas árvores é vital, embora as ferramentas disponíveis para tal diagnóstico sejam limitadas.

Graças ao apoio do Programa de Pesquisa Inovadora em Pequenas Empresas (PIPE) da FAPESP, a empresa Kerno Geo desenvolveu o Kerno ANDAS, uma inovadora ferramenta de diagnóstico que aplica métodos geofísicos para avaliar as árvores urbanas. Esta tecnologia não só gera imagens internas dos troncos, mas também realiza um mapeamento tridimensional das raízes, fornecendo informações sobre as propriedades do solo e sua interação com as raízes locais.

Inovação no Mapeamento de Árvores Urbanas

Segundo Vinicius Neris dos Santos, pesquisador principal do projeto, o estudo da geofísica permite examinar o interior da terra por meio de métodos indiretos, que agora são aplicados à análise de arborização urbana. Esta abordagem inovadora permite detectar cavidades ou áreas de deterioração nos troncos e mapear os sistemas radiculares, proporcionando uma avaliação integral dos riscos de queda de árvores.

O mapeamento preciso ajuda a tomar decisões informadas para o manejo adequado das árvores, reduzindo riscos sociais e econômicos associados a quedas e minimizando custos futuros por remoção ou substituição de espécies.

Anteriormente, as ferramentas para mapear raízes eram limitadas, especialmente em áreas com pisos impermeáveis. A necessidade de quebrar pavimento para estudar as raízes aumentava custos e tempos. No entanto, os métodos geofísicos atuais permitem realizar esses estudos de maneira eficiente e econômica.

Em 2018, Vinicius Neris dos Santos, junto com o geólogo Marcelo Martinatti e o matemático Marcelo Caetano, iniciou um projeto para adaptar métodos geofísicos ao estudo de árvores. Em 2020, com o avanço para a Etapa II, o projeto culminou em 2022, já com presença no mercado e clientes do setor público e privado.

A tecnologia combina a eletroresistividade e o Radar de Penetração no Solo (GPR). Por meio da eletroresistividade, injeta-se uma corrente elétrica no tronco ou solo, avaliando a resistividade elétrica para identificar cavidades e mapear raízes. O GPR, um pequeno dispositivo que é arrastado pelo solo, emite ondas de rádio para obter imagens de alta resolução das raízes e avaliar parâmetros do solo.

Os dados geofísicos permitem caracterizar a profundidade, distribuição e diâmetro das raízes, bem como determinar a biomassa do solo, melhorando a compreensão da estrutura radicular. Essas ferramentas também identificam cavidades nos troncos.

Na fase inicial, a Kerno Geo explorou a viabilidade de aplicar métodos geofísicos em arborização urbana, interagindo com especialistas em engenharia florestal, biologia e agronomia. Descobriram que o GPR poderia oferecer soluções efetivas, corroborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, que buscava melhorias no mapeamento de raízes.

Para facilitar a compreensão das imagens geofísicas, foi desenvolvido um software que traduz os dados em representações visuais compreensíveis. Foram realizados testes em diversas espécies e ambientes com apoio do Instituto de Biociências e do Instituto de Geofísica da USP.

O projeto avançou na Etapa II, adquirindo equipamentos próprios e ampliando a equipe com especialistas em biologia. Buscando parcerias, a Kerno Geo se aproximou da Secretaria Verde e de Meio Ambiente de São Paulo, apresentando sua tecnologia em um projeto piloto para prefeituras responsáveis pela arborização urbana.

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