A Austrália enfrenta uma crise de biodiversidade: a população de répteis e anfíbios reduziu 96% em 40 anos

A biodiversidade da Austrália enfrenta uma crise sem precedentes que afeta, em particular, as populações de répteis e anfíbios.

É que, desde 1985 até a atualidade, a população dessas espécies ameaçadas se reduziu em média em 96%.

Assim revela o primeiro monitoramento nacional sobre esses grupos realizado pela Universidade de Queensland.

O estudo, publicado em The Conversation, documenta este colapso através do Índice de Espécies Ameaçadas (TSX). Os resultados evidenciam desafios urgentes para a conservação no país.

A crise de biodiversidade da Austrália: o primeiro análise nacional revela perdas devastadoras

O monitoramento representa a primeira compilação nacional sobre a abundância relativa de espécies de rãs e répteis ameaçados e quase ameaçados.

Especialistas de todo o país contribuíram com dados de campo coletados durante décadas para analisar a perda de biodiversidade de répteis e anfíbios na Austrália.

A equipe revisou literatura científica publicada e inédita. Também extraiu informações de tabelas e gráficos de monitoramento de zonas remotas.

Australia enfrenta una crisis de biodiversidad, la población de reptiles y anfibios se redujo un 96% en 40 años
A Austrália enfrenta uma crise de biodiversidade, a população de répteis e anfíbios se reduziu em 96% em 40 anos.

A análise abrangeu 28 espécies de rãs e 24 de répteis, com 894 séries temporais de acompanhamento.

Embora este número seja reduzido comparado com os mais de 20.000 registros de aves, os autores consideram que é um ponto de partida sólido.

Doenças, espécies invasoras e perda de habitat

O relatório destaca a extinção do skink da floresta da Ilha Christmas, o único réptil australiano declarado oficialmente extinto.

Entre as rãs, sete são consideradas perdidas, incluindo as duas únicas espécies conhecidas de rãs de incubação gástrica.

As principais ameaças identificadas incluem:

  • Doenças emergentes: o fungo quitrídio, introduzido na década de 1980, causou o desaparecimento de várias espécies de rãs
  • Espécies invasoras: os sapos-de-cana tóxicos reduziram as populações de lagartos-monitores aquáticos do norte
  • Perda de habitat: a expansão agrícola e desmatamento afetam répteis de pastagens
  • Incêndios florestais: agravam o declínio de populações não impactadas pelo fungo

A tartaruga de Bellinger River caiu drasticamente devido a um vírus emergente.

Os lagartos-monitores aquáticos como Merten’s e Mitchell’s tiveram sua população reduzida pela chegada de sapos-de-cana.

Segundo os pesquisadores, essas ameaças produziram efeitos devastadores e agravaram o declínio de numerosas espécies.

“O colapso de biodiversidade de répteis e anfíbios na Austrália responde a doenças emergentes, introdução de invasoras e perda de habitat“, apontam no estudo.

Australia enfrenta una crisis de biodiversidad, la población de reptiles y anfibios se redujo un 96% en 40 años
O relatório destaca a extinção do skink da floresta da Ilha Christmas, o único réptil australiano declarado oficialmente extinto.

O panorama é mais grave ao compará-lo com outros grupos animais.

Enquanto os mamíferos com apoio de conservação diminuíram apenas 18% desde 1990, as plantas sob manejo ativo até cresceram 2% no mesmo período.

As espécies sem intervenção caíram muito mais: até 81% no caso de algumas plantas. Esta comparação evidencia a magnitude da crise de biodiversidade na Austrália.

Crise de biodiversidade na Austrália: casos de esperança e ação coletiva

Apesar deste cenário, existem exemplos encorajadores. O skink do Grande Deserto mostrou sinais de recuperação graças à gestão do fogo por comunidades indígenas.

O monitoramento contínuo e a cooperação entre cientistas, gestores e cidadãos são fundamentais para proteger a biodiversidade.

Programas de ciência cidadã como FrogID e iNaturalist permitem fornecer observações valiosas.

Os autores do estudo — o Dr. Geoffrey Heard, a Dra. Sarah McGrath e Tayla Lawrie, todos da University of Queensland — insistem na importância de coletar mais dados.

Fortalecer os programas de monitoramento permitirá identificar espécies em recuperação e impedir novas extinções.

A experiência australiana demonstra que com gestão adequada e ação coletiva é possível restaurar o equilíbrio ecológico.

O trabalho colaborativo pode assegurar um futuro para a biodiversidade do país.

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