A ranita do Pehuenche (Alsodes pehuenche), um anfíbio endêmico em perigo crítico que habita riachos de altitude na Cordilheira dos Andes, tornou-se um símbolo de conservação ambiental.
Sua proteção não só assegura a sobrevivência da espécie, mas também de outras espécies endêmicas como lagartos que coabitam na mesma região.
A Municipalidade de Malargüe (Mendoza) destacou que a criação de um Plano de Ação busca mitigar ameaças imediatas. Além disso, busca-se promover uma mudança na gestão dos recursos naturais no Passo Pehuenche e áreas adjacentes.
Oficina colaborativa em Malargüe
A primeira oficina para desenhar este plano foi realizada no Centro de Convenções e Exposições Thesaurus. Contou com a participação da Direção de Biodiversidade e Ecoparque de Mendoza, da Universidade Nacional de Cuyo, pesquisadores nacionais e internacionais e representantes do Chile.
O objetivo foi coordenar esforços entre governos e comunidades locais para compilar informações prévias e atualizar procedimentos de conservação. Foram discutidas medidas como:
- Proteção de riachos de degelo, fundamentais para a reprodução e desenvolvimento larval.
- Melhoria dos sistemas de inspeção e videovigilância.
- Erradicação da caça furtiva e controle de espécies invasoras como a truta arco-íris e o fungo quitrídio.
- Participação ativa de comunidades locais na gestão do habitat.

Ameaças principais
O Chefe do Departamento de Fauna Silvestre de Mendoza, Adrián Gorrindo, explicou que a ranita é muito sensível à perda de habitat, às mudanças climáticas e a atividades humanas como o turismo, a pecuária e a infraestrutura viária.
A pesquisadora Vanesa Pellegrini, da organização Bio Pehuenche, destacou que o trabalho científico busca compreender a dinâmica do ecossistema de altitude onde vive a espécie.
Atualmente, a ranita ocupa apenas 9 km² na zona central dos Andes, tanto na Argentina quanto no Chile, o que a torna uma espécie altamente vulnerável.
Importância ecológica
A ranita do Pehuenche cumpre funções essenciais:
- Indicador ecológico: sua presença alerta sobre a saúde dos ecossistemas aquáticos de montanha.
- Papel trófico: controla populações de insetos e serve de alimento para outras espécies.
- Patrimônio natural único: exclusiva do Passo Pehuenche, é um símbolo de biodiversidade e educação ambiental.
Seu ciclo de vida completo é estimado em quatro anos, e depende de riachos de degelo a mais de 2.000 metros de altitude, o que a torna especialmente sensível à seca e às mudanças climáticas.
A ranita do Pehuenche é muito mais que um pequeno anfíbio: é um indicador da saúde ambiental e um emblema da biodiversidade andina. Sua conservação requer um esforço conjunto entre governos, cientistas e comunidades locais, já que proteger seu habitat significa também preservar o equilíbrio ecológico dos Andes Centrais.



