Nordelta no centro da polêmica, com a aparição de capivaras mortas, o que gerou um novo debate.
Mais uma vez, as capivaras desencadearam uma intensa controvérsia em Nordelta, colocando à prova a tensa relação entre seus residentes e os defensores do meio ambiente.
A recente aparição de três filhotes de capivara mortos devido ao baixo nível da água reacendeu o debate sobre o grau de proteção que esses roedores em seu habitat natural merecem, em uma área que experimenta um crescimento urbano cada vez mais acelerado.
O lamentável incidente ocorreu na localidade de Rincón de Milberg, pertencente ao município de Tigre. Neste ponto, os três pequenos filhotes não conseguiram superar o muro de contenção que circunda o corpo de água, ficando presos e morrendo afogados devido à drástica diminuição do nível hídrico.
Morte de capivaras pela intervenção do homem em Tigre
Este fato levou a ambientalista Silvia Soto a apontar diretamente que a construção dos enrocamentos de concreto sem rampas adequadas é o impedimento crucial que impede os animais de escalar e escapar dessa situação.
Capivara em Nordelta[/caption>
Silvia Soto aprofundou a problemática, explicando: “Eles retiraram as bordas naturais e, além disso, agora os cercam na borda em espaços comuns.
Se avançarem com os cercados nos lotes privados, a situação agrava-se ainda mais”. Com clara preocupação, concluiu sua declaração com a contundente frase: “A fauna está permanentemente em risco”.
A escalada de tensão: “Fora Capivaras” e ameaças em chats de vizinhos
A resposta de um setor dos residentes não se fez esperar, manifestando-se de forma preocupante.
Foi formado um grupo de chat entre vizinhos denominado explicitamente “Fora capivaras”, refletindo a frustração e a raiva que alguns proprietários experimentam.
As conversas dentro deste grupo expõem um nível de indignação que escalou para ameaças pelas mortes de capivaras.
Uma das conversas capturadas mostra um vizinho admitindo abertamente: “Na próxima vez eu atiro pedras, hein”. Outro proprietário, visivelmente afetado pelos danos materiais, expressou: “Jogaram todas as vasos da galeria, eu vou matá-los”.
Família de capivaras[/caption>
A situação evidencia uma polarização extrema. Outros vizinhos, com uma postura ainda mais radicalizada e uma clara falta de empatia com a fauna, expressaram sua frustração de maneira alarmante: “Se o município não se mexer, a pessoa vai resolver com tiros de espingarda (me ofereço). É propriedade privada, ponto.
Não é muito difícil. Se entrar sem permissão, você morre”. Estas declarações destacam a tensão crescente e o perigo latente para as capivaras na região.



