Este engenheiro propõe criar corredores para capivaras para resolver o conflito com os vizinhos de Nordelta: os detalhes

Diante do conflito que enfrenta os moradores de Nordelta com os capivaras da região, um engenheiro hidráulico propôs criar corredores de fauna para alcançar uma convivência pacífica.

A alternativa surge depois que o conflito, que já dura anos, escalou para um novo nível de crueldade na semana passada: seis capivaras foram sedadas, colocadas em gaiolas e retiradas do bairro.

Após a denúncia de moradores e ONGs, uma decisão judicial finalmente determinou que as capivaras devem permanecer em Nordelta pelo menos até que seja realizado um Estudo de Impacto Ambiental completo.

No entanto, trata-se de uma solução temporária que não resolve o problema de fundo: a reclamação dos moradores de Nordelta pelas capivaras e suas reações às vezes desproporcionais.

Diante disso, uma alternativa idealizada pelo engenheiro hidráulico e civil Claudio Velazco busca evitar a transferência dos animais e pôr fim aos anos de tensão.

Recentemente, Velazco apresentou sua proposta para criar no bairro corredores especiais para capivaras e a fauna silvestre da região.

“É preciso ver como conviver com as capivaras”, afirmou Velazco em diálogo com Argentina 12. Além disso, o especialista criticou a ideia proposta por Daniel Scioli, secretário de Turismo, de transferir os animais para uma área de ilhas.

propõem criar corredores de capivaras em Nordelta

A proposta de corredores para capivaras se baseia em um estudo técnico de Nordelta

O engenheiro, ferrenho defensor das capivaras, compartilhou sua proposta após realizar um estudo técnico da área onde se encontra Nordelta.

Para isso, utilizou planilhas do Instituto Geográfico Militar (IGM) para analisar as características do terreno.

Sua pesquisa revelou que se trata de “uma zona de pântanos, cerca de quatro mil hectares não aptos para a construção humana“.

Nessa linha, Velazco denunciou que o bairro foi construído em uma zona inundável, onde “destruíram um ecossistema para fazer um grande negócio”.

Por isso, o profissional destacou que, antes de propor uma mudança das capivaras, “é preciso esgotar outras instâncias”.

Essa postura contrasta com as propostas de relocalização que ganharam força nas últimas semanas.

Como funcionariam os corredores para capivaras

A proposta de corredores para capivaras se baseia em adaptar as ruas existentes.

Velazco explicou que os animais precisam se deslocar entre diferentes pontos: alguns para se alimentar e outros para estar em seu habitat aquático.

“Essas ruas perfeitamente podem ser adaptadas para que as capivaras possam circular“, indicou.

O sistema funcionaria por meio de bueiros de diferentes alturas, semelhantes aos usados em cruzamentos de estradas.

As vias de comunicação seriam elevadas e seriam instalados sistemas de proteção para induzir as capivaras e outros animais a passar por esses corredores.

Essa infraestrutura evitaria atropelamentos, ao mesmo tempo que permitiria o trânsito de veículos sem interrupções.

“O que acontece é que não se quer investir”, questionou o engenheiro. Para Velazco, a posição mais fácil é optar por realocar as capivaras ou, em casos extremos, exterminá-las.

capivaras de Nordelta

A responsabilidade do Estado

O especialista também levantou questões sobre o papel do Estado nesta situação. Questionou por que as autoridades autorizaram a construção na época e agora não exigem soluções adequadas.

“Por que o mesmo Estado agora não busca a solução e exige deste consórcio gerido por grandes poderes econômicos?“, perguntou Velazco.

Segundo Velazco, o investimento necessário para os corredores de capivaras deveria recair sobre aqueles que desenvolveram o projeto imobiliário inicialmente.

“Eles estiveram primeiro, respeitemos”, afirmou em referência às capivaras.

Após isso, o engenheiro ofereceu disponibilizar seu conhecimento técnico para projetar os corredores de capivaras.

“Estou certo de que, de um ponto de vista ambiental, é possível fazer cordões“, assegurou.

A proposta surge em meio ao debate sobre o controle populacional de capivaras. Sem predadores naturais, esses animais se reproduzem quatro vezes por ano, o que gera tensões com os habitantes do bairro privado.

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