O Parque Provincial Aconcagua implementou uma normativa que revoluciona a proteção de mulas de carga.
Agora, as multas em caso de maus-tratos a esses animais chave para a exploração do Parque alcançarão até $ 25 milhões.
Além disso, foram dispostos novos padrões de bem-estar animal como diretrizes a seguir: os detalhes.
Os casos de maus-tratos que motivaram a atualização
A atualização surge após um vergonhoso relatório do Ministério Público Fiscal de Mendoza realizado há quase um ano.
Isso resultou em denúncias de diversas ONGs por maus-tratos a animais, especificamente das mulas, no Parque Aconcagua.
Atualmente, na região operam oito empresas autorizadas com cerca de 800 mulas no total, que trabalham sem descanso na alta temporada.
Após uma inspeção da província, foi aberta uma ação judicial.

Em particular, o caso que motivou a investigação fiscal foi o sacrifício de Lunático, uma mula que agonizou durante três dias abandonada no Aconcagua.
O animal foi finalmente eutanasiado em dezembro passado com permissão do Colégio de Veterinários de Mendoza.
Durante as inspeções realizadas em janeiro em locais como Ponte do Inca e Plaza de Mulas, foram revisadas cerca de 300 mulas.
Setenta delas precisavam de atenção veterinária urgente por queimaduras, lesões e desnutrição.
O promotor Gabriel Blanco, da Unidade de Crimes contra o Meio Ambiente, acusou arreios por maus-tratos a animais segundo a Lei 14.346.
Foram até documentados casos de mulas obrigadas a carregar baterias que derramaram ácido sobre seus lombos.
A investigação confirmou o descumprimento do Programa de Bem-Estar Animal vigente.
As mulas apresentavam crostas, feridas abertas e sinais evidentes de sobreexploração nas rotas do Parque Aconcagua.
Os novos padrões de cuidado de mulas no Aconcagua
Na semana passada, a Direção de Áreas Protegidas (DAP) de Mendoza aprovou a atualização do Programa de Bem-Estar Animal.
Este incorpora exigências técnicas mais rigorosas e fortalece o regime de sanções para empresas e arreios.
A medida estabelece multas que alcançam as 50.000 UF (equivalentes a $ 25 milhões) para infrações muito graves.

Além disso, as sanções também contemplam a suspensão definitiva de arreios.
A nova normativa estabelece também uma admissão única por temporada, realizada exclusivamente por veterinários do Programa.
Por isso, agora os animais deverão contar com identificação por chip e Cadernetas Sanitárias digitalizadas.
Esta informação habilitará uma base de dados eletrônica com toda a informação sanitária das mulas que deverão compartilhar as empresas que operam no Aconcagua.
Também são incorporados registros obrigatórios de entradas, saídas, controles veterinários e lesões.
Cada empresa deverá designar um “Oficial de Cumprimento”, um veterinário responsável por garantir o cumprimento integral do Programa.
Este profissional assumirá responsabilidade solidária em caso de infrações.
Finalmente, os currais deverão cumprir certos requisitos sobre espaço, água disponível e abrigo adequado.
As mulas utilizadas no Parque Aconcagua receberão entre 20 e 70 litros de água diária, além de feno e grãos, segundo padrões mínimos estabelecidos.
Horários estritos e descansos obrigatórios para as mulas do Aconcagua
Na Quebrada de Horcones, a inspeção começará às 6 h. O ingresso de mulas no Aconcagua estará permitido até as 11 horas para expedições com destino a Plaza de Mulas.
O descanso mínimo entre ingressos consecutivos do mesmo animal será de 24 horas em Horcones. Na Quebrada de Vacas, o descanso obrigatório alcança as 48 horas.
O percurso Punta de Vacas—Plaza Argentina—Punta de Vacas deverá ser realizado em um mínimo de três dias. É proibido o pernoite de animais em zonas não autorizadas e acima dos 3300 metros.

Infrações e regime sancionatório
O regime classifica as faltas em leves, graves e muito graves. Os descumprimentos vão desde a falta de colaboração com inspetores até os maus-tratos a animais e uso de elementos proibidos.
O maus-tratos a animais, a manipulação negligente de cargas e a morte de mulas por ação ou omissão constituem faltas muito graves.
São proibidos de forma terminante esporas e castigos contundentes.
Além disso, as empresas do Parque Aconcagua deverão apresentar declarações juramentadas sobre alimentação e estas estarão sujeitas a inspeções periódicas por parte da autoridade de aplicação.
Ao finalizar cada temporada será elaborado um relatório técnico com estatísticas de ingressos, rejeições e indicadores de desempenho.
Este será apresentado à Comissão Assessora do Parque Provincial Aconcagua (CAPPA) para que defina.
A atualização foi elaborada tomando como base as experiências de fiscalização da temporada anterior.
Também foi considerado o análise técnico de veterinários da Direção de Biodiversidade e Ecoparque.



