Nascem 13 tartarugas gigantes nas Seychelles: a incubação artificial que pode salvar a espécie ameaçada do oceano Índico

Treze filhotes de tartaruga gigante de Aldabra nasceram nas ilhas Seychelles após a primeira incubação artificial bem-sucedida desta espécie ameaçada.

O feito, resultado de um inovador projeto de conservação, representa um avanço significativo para proteger um dos répteis mais grandes e longevos do planeta, nossas queridas tartarugas gigantes.

Os filhotes provêm de 18 ovos recuperados por conservacionistas em um ninho localizado na ilha Cousin, parte do arquipélago das Seychelles.

Uma semana após o nascimento, as pequenas tartarugas se alimentam com fatias de banana e verduras de folha verde enquanto recuperam forças sob proteção, dando esperança à população de tartarugas gigantes.

Tartarugas gigantes em Seychelles: um avanço para a conservação

“É um grande avanço”, afirmou Alessia Lavigne, pesquisadora seychellense da Universidade de Sheffield na Inglaterra e autora principal do estudo.

“Demonstra o que a conservação pode alcançar”, acrescentou ao referir-se ao sucesso reprodutivo alcançado em seu projeto com cinco espécies de tartarugas, destacando o impacto positivo nessas tartarugas gigantes.

Os cientistas empregaram uma técnica inovadora para determinar quais ovos não desenvolvidos estavam fertilizados e tinham possibilidades de desenvolvimento.

O estudo revelou que 75% dos ovos não desenvolvidos haviam sido fertilizados, mas os embriões morreram durante uma fase inicial.

O problema da baixa incubação natural das tartarugas gigantes

Esses resultados explicam o baixo sucesso de incubação que apresenta a tartaruga gigante de Aldabra em ninhos silvestres.

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), o problema é atribuído a questões ambientais e não a fatores genéticos.

O baixo número de avistamentos de filhotes em zonas silvestres sugere taxas reprodutivas limitadas em muitas das ilhas onde habitam as tartarugas gigantes.

A incubação de ovos fertilizados pode ajudar a reforçar os números em caso de crise. Isso, segundo indica o projeto, foi desenvolvido em colaboração com Nature Seychelles e outras organizações conservacionistas locais.

A história de sobrevivência das tartarugas e suas ameaças

As tartarugas gigantes sofreram uma aniquilação na maior parte das ilhas do oceano Índico no século XIX. A causa foram as campanhas de caça impulsionadas por marinheiros.

A população do grupo de ilhas Aldabra sobreviveu ao estar isolada do resto do oceano, estabelecendo um refúgio seguro para essas tartarugas gigantes.

tartarugas marinhas

Essa singularidade biológica, junto com mais de 400 espécies endêmicas e a paisagem característica, levou a que o atol Aldabra fosse declarado patrimônio da humanidade pela Unesco em 1982.

Com o objetivo de oferecer uma rede de segurança para a espécie diante de possíveis ameaças futuras, diversos exemplares foram transferidos para outras ilhas. Entre elas Cousin, em uma tentativa de expandir as populações de tartarugas gigantes.

Isso ganha especial relevância no contexto do desenvolvimento turístico observado em pelo menos uma ilha, financiado com investimento procedente do Qatar.

A ciência pede outra solução a longo prazo

Nicola Hemmings, do departamento de Biociências da Universidade de Sheffield, considerou “maravilhoso que se tenha demonstrado que esses ovos são viáveis”.

No entanto, enfatizou que “a incubação artificial não é uma solução a longo prazo” para as tartarugas gigantes.

Agora, a pesquisadora propõe o próximo passo: “Precisamos identificar as variáveis que afetam a sobrevivência no ambiente natural do ninho. Além disso, ver se há formas de melhorá-las”.

A equipe de pesquisa planeja compartilhar os resultados com a comunidade científica das ilhas Galápagos. Este é o único outro lugar onde sobrevive uma espécie similar de tartaruga gigante.

A tartaruga gigante de Aldabra pode superar os 250 quilos e alcançar uma vida de mais de um século e faz parte do grupo de tartarugas gigantes sobreviventes.

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