Parque Nacional Iberá e dois marcos de conservação: captura de uma onça-pintada selvagem e soltura de uma fêmea de jaguatirica.

Esta semana, câmeras de armadilhas registraram a imagem de um onça-pintada selvagem movendo-se pelas florestas do Parque Nacional Iberá, na província de Corrientes.

O registro, divulgado pela organização Rewilding Argentina, marca um momento histórico para a conservação da fauna nativa, uma vez que essa espécie havia desaparecido da região durante grande parte do século XX.

A onça-pintada retorna a Iberá: símbolo de restauração ambiental

Mais de 35 exemplares vivem em liberdade graças a um programa de reintrodução iniciado há uma década.

Considerado o maior felino da América do Sul e classificado como espécie em perigo crítico na Argentina, a onça-pintada (Panthera onca) foi reintroduzida em Iberá por meio de um projeto que combina criação controlada, monitoramento via satélite e libertação progressiva.

Seu retorno não apenas representa uma vitória para a biodiversidade, mas também restaura funções ecológicas-chave no ecossistema.

“Alguns anos atrás, essa imagem parecia impossível”, expressou Nicolás Muñoz Oliver, autor do vídeo que mostra o animal na selva correntina.

Pelusa: uma jaguatirica que inicia sua vida em liberdade

A liberação dessa fêmea marca um novo passo na recuperação de espécies funcionais em Iberá.

Paralelamente, o Parque Nacional Iberá foi palco de outro evento relevante: a liberação de Pelusa, uma fêmea de jaguatirica (Leopardus pardalis) nascida no centro de reintrodução da espécie.

Seus pais eram provenientes do cativeiro, mas Pelusa foi criada em recintos de enriquecimento ambiental, onde aprendeu a caçar presas naturais e a desenvolver autonomia.

Parque Nacional Iberá
Parque Nacional Iberá

Monitoramento via satélite e acompanhamento adaptativo

Uma coleira GPS permitirá estudar seus deslocamentos e hábitos no ecossistema correntino.

Antes de sua liberação, as equipes técnicas da Rewilding Argentina colocaram um dispositivo de rastreamento via satélite, que permitirá:

  • Monitorar seus movimentos em tempo real
  • Avaliar sua adaptação ao ambiente selvagem
  • Coletar dados para futuras reintroduções

“Conhecer seus hábitos é fundamental para garantir sua sobrevivência e ajustar estratégias de conservação”, explicaram da fundação.

Restauração ecológica: devolver funções perdidas à paisagem

A jaguatirica regula populações de presas médias e contribui para o equilíbrio natural.

O retorno da jaguatirica, o terceiro maior felino da América do Sul, busca restabelecer seu papel ecológico nas matas e estuários de Iberá.

Sua presença ajuda a controlar dinâmicas populacionais, favorecendo a diversidade biológica e a resiliência do ecossistema.

O Parque Nacional Iberá como modelo de conservação ativa

A reintrodução de espécies extintas localmente demonstra que a restauração é possível.

Tanto a onça-pintada quanto a jaguatirica haviam desaparecido da paisagem correntina. Seu retorno, fruto de esforços científicos, comunitários e políticos, demonstra que é possível reverter processos de extinção local e reconstruir ecossistemas funcionais.

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