Uma recente disposição oficial voltou a acender o alarme entre organizações ambientalistas. A Resolução Nº 1194, emitida pela Direção de Recursos Naturais e Fiscalização de Entre Ríos, autorizou a caça de até 150.000 coipos durante a temporada de inverno, gerando preocupação pelo impacto na fauna nativa.
A normativa permite a captura desses mamíferos aquáticos entre 24 de junho e 29 de setembro, exceto em áreas protegidas. A medida busca controlar sua população devido a supostos danos em aterros e plantações de nozes-pecã, embora as organizações considerem que responde mais a interesses produtivos do que a razões ecológicas.
O anúncio não demorou a despertar críticas de setores conservacionistas, que acusam o governo provincial de agir em detrimento da biodiversidade. Em maio, a gestão já havia sido questionada por permitir a caça de aves nativas, reforçando as suspeitas sobre uma política ambiental permissiva.
O curioso é que a medida é tomada enquanto a província promove sua campanha turística #ModoCarpincho, que convida a desfrutar da natureza e da tranquilidade do entorno litorâneo, uma paradoxo que não passou despercebido para as organizações de defesa ambiental.

O coipo: um habitante chave dos pântanos
O coipo (Myocastor coipus), conhecido como nutria roedora, é uma espécie autóctone dos pântanos do litoral argentino. Habita rios, lagoas e alagados, onde desempenha um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas.
Sua presença contribui para a manutenção da biodiversidade aquática, já que intervém na dinâmica natural das zonas ribeirinhas. Ao contrário de espécies exóticas ou invasoras, o coipo faz parte do patrimônio biológico da região.
Embora alguns setores produtivos o considerem uma praga por seus hábitos escavadores, seu controle deve ser feito sob parâmetros científicos e ecológicos, evitando práticas de extermínio em massa que possam desestabilizar os ambientes naturais.

Uma fauna sob pressão e políticas na mira
A caça autorizada de coipos se soma a uma série de decisões oficiais que têm gerado preocupações sobre a política ambiental de Entre Ríos. As críticas apontam para a falta de avaliação ambiental prévia e para a ausência de medidas de proteção efetivas para a fauna autóctone.
O risco de reduzir drasticamente a população de coipos poderia alterar o funcionamento dos pântanos, espaços-chave para a biodiversidade, a qualidade da água e a regulação climática. Além disso, a medida entra em conflito com as ações de promoção turística que destacam a riqueza natural da região de Entre Ríos.
A discussão continua aberta entre aqueles que reivindicam uma gestão responsável da fauna silvestre e as autoridades, que terão que demonstrar se sua política prioriza o desenvolvimento sustentável ou responde a pressões setoriais.



