Registrado pela primeira vez o acasalamento de uma onça-preta selvagem na Amazônia, chave para a conservação.

Um grupo de cientistas alcançou um marco histórico ao registrar pela primeira vez em seu habitat natural o acasalamento de um jaguatirica negra selvagem ou jaguar melanístico. Conhecido popularmente como pantera negra, o animal estava no coração da Amazônia brasileira.

Este evento, documentado na revista Ecology and Evolution, é o primeiro deste tipo registrado em jaguares selvagens.

As imagens foram gravadas em setembro de 2023 no Parque Nacional de Serra do Pardo, durante a expedição Amazon Biodiversity and Carbon (ABC). O vídeo capturou uma pantera negra fêmea e um jaguar macho com pelagem manchada, um momento de cortejo que até então só havia sido observado em cativeiro.

Jaguatiricas na natureza: um desafio para a ciência

O jaguatirica (Panthera onca) é um felino solitário e esquivo. Sua natureza evasiva e a vastidão de seus territórios tornam quase impossível estudar seu comportamento reprodutivo.

“Ganhamos na loteria e capturamos o primeiro vídeo de uma pantera negra acasalando com um macho manchado em liberdade”, afirmou Carlos Peres, coautor do estudo e especialista da University of East Anglia (UEA).

Um comportamento de “camuflagem” para proteger as crias

Um detalhe intrigante da descoberta foi a possível “falsa” receptividade da fêmea. Os pesquisadores observaram que a pantera negra exibia sinais de lactação, sugerindo que poderia estar empregando uma estratégia de “pseudoestro”.

Esse comportamento, de “se esconder e flertar“, ajuda a proteger as crias confundindo os machos.

Capturaram uma jaguatirica negra selvagem. (Foto: DW).
Capturaram uma jaguatirica negra selvagem. (Foto: DW).

“É uma possibilidade que não podemos descartar”, comentou o Dr. Thomas Luypaert da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida (NMBU).

Melanismo e conservação: pistas valiosas

O melanismo, a mutação genética que produz a pelagem negra, é mais comum em ambientes úmidos como a Amazônia. Embora seu papel exato no sucesso reprodutivo ainda seja incerto, essa descoberta fornece dados cruciais.

Além de seu valor científico, as gravações oferecem informações valiosas para os programas de conservação. “Compreender como os jaguares se comportam em seu ambiente natural é essencial para melhorar os programas de reprodução em todo o mundo”, destacou Luypaert.

Este marco destaca a importância das câmeras de armadilha na pesquisa de espécies esquivas, demonstrando que são uma ferramenta revolucionária para o estudo da vida selvagem. Esse vídeo não apenas expande nosso conhecimento sobre os jaguares, mas também destaca o quanto ainda há a descobrir sobre a vida selvagem na Amazônia.

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