O Parque da Biodiversidade da Prefeitura de Córdoba, junto com a Polícia Ambiental e Aves Argentinas, transferiu um exemplar de maracanã de lombo vermelho para a Reserva El Puente Verde, em Misiones.
A ave, identificada como Primolius maracanã, havia ingressado em janeiro após uma apreensão relacionada ao tráfico de animais. Desde então, permaneceu sob avaliação e tratamento veterinário.
Este movimento faz parte de uma estratégia de conservação que busca reverter décadas de retrocesso populacional. Assim, fortalece-se um projeto que visa devolver a espécie ao seu habitat natural.

Uma espécie à beira da extinção na Argentina
O maracanã de lombo vermelho foi historicamente abundante na selva missioneira. No entanto, atualmente está virtualmente extinto na Argentina.
Há mais de vinte anos não se registram indivíduos em liberdade no país. Entre as causas estimadas estão a perda de grandes árvores para nidificação, a captura para o comércio ilegal e a perseguição direta.
Trata-se de uma arara de tamanho médio, de plumagem verde intensa com tons avermelhados no lombo. Além disso, depende de frutos e flores da Mata Atlântica, o que a torna um dispersor chave de sementes.
Quarentena, saúde e treinamento para a vida selvagem
Ao ingressar no centro de resgate, o exemplar foi submetido a um teste de psitacose, com resultado negativo. Além disso, recebeu tratamento por uma inflamação em uma asa e exames de sangue para avaliar seu estado geral.
Posteriormente, foi encaminhado para a Reserva El Puente Verde, onde se integra ao projeto de reintrodução desenvolvido por Aves Argentinas junto com o Ministério da Ecologia de Misiones e outras instituições.
Na reserva, realiza-se quarentena, enriquecimento ambiental e alimentação com frutos nativos. Além disso, a ave é treinada em uma gaiola de 20 metros de comprimento e mais de seis metros de altura, projetada para fortalecer musculatura e habilidades de voo.

A Reserva El Puente Verde e o corredor da Mata Atlântica
A Reserva Natural El Puente Verde está localizada na Península de Andresito, a 70 quilômetros das Cataratas do Iguaçu.
Conta com 183 hectares de selva em bom estado de conservação. Lá habitam 240 espécies de aves e 28 de mamíferos, entre eles o aguará popé, a corzuela colorada e a onça-pintada.
A área faz parte do corredor que conecta o Parque Nacional do Iguaçu com seu par no Brasil e outras áreas protegidas. Em consequência, sua localização estratégica a converte em uma ponte ecológica fundamental para restaurar populações e fortalecer a biodiversidade da Mata Atlântica.



