Uma empresa de parques aquáticos declarou falência e planeja vender centenas de animais marinhos.

A empresa americana The Dolphin Company (TDC), operadora de parques marinhos e aquáticos, declarou falência sob o Capítulo 11 da lei dos Estados Unidos e agora propõe vender cerca de 2.400 animais marinhos, incluindo golfinhos, leões-marinhos e pinguins, alegando custos “excessivamente altos” para o seu cuidado e uma crescente falta de liquidez.

O processo de venda de animais e ativos imobiliários está sujeito à aprovação de um tribunal de falências e ocorre no contexto de uma reestruturação operacional assumida por consultores designados por credores, após a substituição da antiga administração.

Denúncias de maus-tratos e fechamento de instalações

O colapso financeiro acontece paralelamente a uma série de acusações de negligência no cuidado dos animais, especialmente no parque Gulf World na Flórida, onde foi relatada a morte de cinco golfinhos-roazes em um ano, e que atualmente está sendo alvo de investigações por parte da FWC (Pesca e Vida Selvagem da Flórida) e do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

As auditorias revelaram:

  • Deficiências graves na qualidade da água
  • Estruturas deterioradas
  • Condições insalubres para espécies marinhas, incluindo pinguins confinados em habitats inadequados

Este deterioração foi atribuída a “anos de abandono” sob a administração anterior, de acordo com porta-vozes dos atuais consultores judiciais.

animais marinhos
A empresa planeja vender milhares de animais marinhos

Ativos vivos como garantia de dívida

De acordo com registros judiciais, os animais são considerados ativos de alto valor e fazem parte do suporte para quitar uma dívida superior a 100 milhões de dólares. As espécies mais valiosas seriam golfinhos e leões-marinhos, o que tem gerado preocupação entre organizações de bem-estar animal sobre o destino que possam ter durante ou após a liquidação.

“A venda contribuirá não só para o patrimônio dos devedores, mas também para o bem-estar e segurança dos animais”, argumentou a TDC em uma recente apresentação judicial, apesar das críticas crescentes por parte do público e ativistas.

Conflito interno e resistência do México

O processo também envolve uma batalha legal com o ex-diretor geral, Eduardo Albor, que inicialmente se recusou a ceder o controle dos parques no México, sede principal da empresa, complicando os esforços dos atuais interventores designados pelos credores.

A empresa afirmou ter adotado uma abordagem de melhoria contínua no bem-estar animal, contratando especialistas em biologia marinha e medicina veterinária, embora ativistas como Sylvia Jones liderem campanhas para fechar instalações e transferir os animais para santuários, dada a “situação deplorável” documentada em alguns parques.

Em debate: ética do cativeiro e gestão de animais marinhos

O caso da The Dolphin Company expõe novamente as tensões entre o modelo de entretenimento com animais em cativeiro e os padrões contemporâneos de bem-estar animal, em um cenário judicial sem precedentes pela magnitude dos animais envolvidos e pelo uso de espécies como garantia de obrigações financeiras.

Compartí esta nota

Últimas notícias

Te pueden interesar
Te pueden interesar

Uma resolução controversa: Entre Ríos autoriza a caça comercial de 100 mil nutrias e cresce a polêmica ambiental

O Governo de Entre Ríos oficializou através da Resolução...

A Justiça confirma a transferência do chimpanzé Toti: do isolamento na Argentina à reabilitação no Reino Unido

A Justiça argentina confirmou a transferência do chimpanzé Toti...

Bem-sucedido retorno ao mar de um elefante-marinho em San Clemente del Tuyú após reabilitação

Um exemplar juvenil de Elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi devolvido...