Quem é o argentino distinguido como “Líder da Ruralidade das Américas”

O professor argentino **Claudio Bertonatti** foi distinguido como “**Líder da Ruralidade das Américas**” pelo Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (**IICA**).

Trata-se de um reconhecimento internacional que a instituição concedeu a ele por seu trabalho em prol da **conservação da natureza** e do patrimônio cultural.

Bertonatti é um **conservacionista**, também especialista em museologia, gestão ambiental e jardins botânicos históricos.

Líder da Ruralidade das Américas: quem é o argentino distinguido

Pesquisador do Centro de Ciências Naturais, Ambientais e Antropológicas da Universidade Maimónides e consultor científico da Fundação Azara, ele percorre há anos a **natureza latino-americana**, desde selvas e planícies até pequenas plantações.

Em nível mais amplo na Argentina, ele ganhou destaque em 2016, quando declarou que considerava “errôneo acreditar que com uma dieta vegana não se mata nenhum animal”. Em uma entrevista, ele explicou que uma dieta vegetariana ou vegana **exige a intensificação de cultivos**, “geralmente em áreas enormes”.

As pesquisas de Bertonatti

No entanto, a visão de Bertonatti é mais abrangente, focando em várias questões. “A maioria das pessoas no mundo, mais de 50%, vivemos em cidades, em povoados, distantes dos cenários naturais, silvestres ou rurais”, ele apontou.

O trabalho do novo “Líder da Ruralidade”. (Foto: IICA).

“Essa distância não é apenas física ou geográfica: é um **afastamento também intelectual, emocional** e racional, com muitas desvantagens”, ele explicou.

“Porque essa urbanidade desconhece os valores da ruralidade, desconhece as funções que, por exemplo, os ecossistemas silvestres desempenham ao fornecer bens ou **serviços dos quais todos dependemos para viver**”, acrescentou.

Para Bertonatti, esse isolamento leva muitos habitantes urbanos do planeta a “não se considerarem parte da natureza, ou a acreditar que os espaços silvestres, selvagens ou rurais são uma coisa e nós somos outra”.

“Meu trabalho consiste em rastrear esses espaços, esses cenários, e estudá-los, tanto do escritório quanto do campo, para conhecer melhor não apenas a natureza e a biodiversidade, mas também a cultura local”, acrescentou Bertonatti.

O trabalho como professor

Bertonatti também é professor. “É compartilhar o que as pessoas do campo me ensinaram, pessoas que talvez não saibam ler nem escrever bem, mas têm um doutorado naquilo que chamaria de universidade do campo”, ele contou.

“Pessoas que ao longo de suas vidas foram **acumulando conhecimentos que são transmitidos de geração em geração** e que muitas vezes não são vistos ou valorizados no âmbito acadêmico”, ele destacou.

Ele enfatiza que os produtores rurais “podem reforçar as boas práticas para que todos nós tenhamos um melhor desempenho”.

Bertonatti destaca que a **baixa valorização do campo e das áreas verdes** faz com que fenômenos básicos como a produção de oxigênio e o fornecimento de água potável também não sejam valorizados.

Nesse sentido, o museólogo e professor afirma ser necessário “trabalhar nas escolas, nos lares, na produção”.

Para mostrar as vantagens de consumir produtos locais, da estação, orgânicos, em contraste com a verdade sobre o que não é orgânico, “o que é distante e tem um **enorme impacto ambiental**”.

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