“Respirar sem alergia”: estudantes apresentaram projeto para substituir plátanos por árvores nativas em Buenos Aires.

Estudantes da escola “Regina Virginum de Adoratrices” em Villa Crespo, CABA apresentaram um projeto de lei inovador na Legislatura portenha chamado “Respirar sem alergias”.

O projeto visa combater um problema de saúde pública pouco discutido e muito presente na cidadania. O impacto da arborização urbana nas alergias.

A iniciativa propõe a substituição gradual das árvores de plátano na Cidade de Buenos Aires, que costumam causar muitas alergias ou desconfortos na saúde, por espécies nativas ou de baixo potencial alergênico.

Sem alergias: por que substituir os plátanos

Com uma população entre 36.000 e 70.000 exemplares, os plátanos representam aproximadamente 15% da arborização da cidade.

Apesar de serem valorizados por sua sombra e presença em avenidas icônicas, seu pólen e as pelúcias que liberam na primavera e outono são uma das principais causas de alergias respiratórias e oculares.

A primavera está de volta e com ela uma das alergias sazonais mais temidas. (Foto: Pixabay).
A primavera está de volta e com ela uma das alergias sazonais mais temidas. (Foto: Pixabay).

Esse problema afeta especialmente grupos vulneráveis como crianças, idosos e pacientes com doenças respiratórias, gerando um impacto negativo na qualidade de vida de milhares de moradores.

Um plano progressivo com foco na saúde: o que diz o projeto

O projeto estabelece uma substituição progressiva ao longo de dez anos, começando na Comuna 15, onde fica a escola impulsionadora do projeto. Em seguida, se estenderia para o restante dos bairros portenhos.

O plano prioriza a substituição em um raio de 200 metros de escolas, hospitais, centros de saúde e residências geriátricas. Dessa forma, busca-se proteger as populações de maior risco.

Os estudantes ressaltaram que a ideia não é “eliminar árvores”, mas sim trocá-las por outras que cumpram funções essenciais de sombra e biodiversidade, sem causar doenças.

Biodiversidade e participação cidadã

A proposta sugere que os novos exemplares sejam árvores nativas ou adaptadas ao ambiente urbano de Buenos Aires, de crescimento rápido e com potencial alergênico nulo. A autoridade competente deverá criar uma lista oficial de espécies autorizadas para promover a biodiversidade e o equilíbrio ecológico.

O que o projeto diz sobre a arborização em CABA.
O que o projeto diz sobre a arborização em CABA.

Um aspecto central do projeto é a participação cidadã. Está prevista a realização de jornadas comunitárias de plantio e cuidado, além de campanhas de conscientização e atividades educativas nas escolas.

Para os professores, esse enfoque pedagógico foi crucial. Não apenas ensinou aos alunos sobre meio ambiente e saúde, mas também sobre o processo de criação de leis e o poder da participação comunitária para gerar uma mudança real.

O projeto se baseia nos direitos a um ambiente saudável e à saúde integral, reconhecidos pela Constituição da Cidade.

Os estudantes argumentam que o Estado tem a obrigação de agir quando uma espécie da arborização pública afeta a saúde da população, promovendo assim uma arborização pública mais saudável e sustentável.

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