Três cientistas da América Latina ganharam o prêmio conhecido como “Oscar Verde”, por salvar espécies em perigo de extinção.
São eles Yara Barros, do Brasil, Andrés Link, da Colômbia e Federico Kacoliris, da Argentina. Eles receberam o prêmio, um dos mais prestigiosos em termos de conservação, na terça-feira em Londres.
Quem são os vencedores do Prêmio Whitley, o Oscar Verde
O Prêmio Whitley, também conhecido como o Oscar Verde, é concedido todos os anos pela fundação britânica do mesmo nome a líderes conservacionistas da Ásia, África e América Latina.
No caso dos premiados, seu trabalho reflete uma combinação de vários fatores. Por um lado, a paixão pela biodiversidade, inovação científica e um ponto central: a convicção de que soluções de conservação duradouras devem incluir e capacitar os habitantes locais.
O trabalho de Federico Kacoliris, pesquisador do CONICET
O pesquisador do CONICET La Plata, Federico Kacoliris, foi um dos reconhecidos.
Federico Kacoliris, o pesquisador argentino premiado. (Foto: CONICET).
O reconhecimento foi pelo seu trabalho na proteção, reprodução e reintrodução da Ranita del Valcheta (Pleurodema somuncurense). É um anfíbio endêmico do Arroyo Valcheta, localizado na meseta de Somuncurá, ao norte da Patagônia, perto da fronteira entre Río Negro e Chubut.
Ele está entre as espécies em perigo crítico de extinção de acordo com a lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Em 2014, junto com outros profissionais do CONICET e da Faculdade de Ciências Naturais e Museu da Universidade Nacional de La Plata (FCNyM, UNLP), construiu o primeiro centro de resgate da espécie.
Consiste em um laboratório para seu estudo reprodutivo que imitava as condições de seu habitat natural, onde um ano depois depositaram um conjunto de indivíduos que se tornou uma colônia de sobrevivência que gradualmente começou a dar frutos.
A WFN destacou o impacto positivo no ambiente e “a abordagem comunitária” da iniciativa.
O trabalho de Yara Barros
Barros e sua equipe protegem jaguares no Parque Nacional Iguazú, que tem uma área de mais de 180 mil hectares em seu lado brasileiro.
Barros e seus colegas do Projeto Jaguares do Iguazú (Projeto Onças do Iguaçu) buscam alterar as percepções dos habitantes locais sobre esses felinos.
Yara Barros, a cientista brasileira premiada. (Foto: BBC Mundo).
Em vez de caçar jaguares, os fazendeiros locais agora entram em contato com o projeto para buscar soluções para conflitos ou casos de predação de seus animais.
Barros e seus colegas envolvem em sua missão de conservação escolas, instituições e habitantes locais. Um exemplo é a iniciativa Crocheteras del Jaguar, que capacita mulheres locais gerando renda alternativa.
Andrés Link e seu projeto com primatas
Link e seus colegas lideram o único projeto de estudo e conservação na Colômbia dos macacos-aranha-marrom (Ateles hybridus), também chamados choibos, que estão em perigo crítico de extinção.
O pesquisador colombiano, Andrés Link. (Foto: BBC Mundo).
“Para meu trabalho de tese de graduação em biologia, no ano 2000, tive a oportunidade de ir viver em uma pequena estação de campo na selva amazônica e exatamente a casinha onde morávamos ficava em cima de uma colina por onde passavam frequentemente uns macacos-aranha”, contou à BBC Mundo.
Ele criou a Fundação Projeto Primatas e também é professor na Universidade dos Andes.
Devido ao desmatamento para pecuária ou cultivo de palma de óleo, o macaco-aranha-marrom está na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo.



