A empresa Centro de Ensayos de Alta Tecnologia SA (Ceatsa), uma empresa formada por Invap e Arsat e responsável por testes de satélites na Argentina, anunciou sua fase de liquidação e o encerramento das atividades, conforme informado em seu site oficial.
Embora não tenham sido fornecidas informações detalhadas, o encerramento marca um ponto crítico na infraestrutura nacional para o desenvolvimento e validação de tecnologia espacial.
Um investimento estratégico para a soberania satelital
Ceatsa nasceu como resposta à necessidade de realizar testes de satélites em território argentino.
Com um investimento de USD 40 milhões, Ceatsa foi concebido como uma instalação-chave para realizar testes ambientais e eletromecânicos em satélites construídos pela Invap, no âmbito do plano impulsionado durante o governo de Cristina Fernández de Kirchner.
Antes de sua criação, os satélites precisavam ser enviados ao Brasil, o que implicava custos elevados, logística complexa e riscos operacionais.
Satélites e radares: os projetos que passaram pela Ceatsa
Entre os equipamentos que foram submetidos a testes na Ceatsa estão:
- Arsat-2
- Saocom 1A e 1B
- Sabiamar
- Protótipos de radares desenvolvidos pela Invap
Os testes simulam as condições extremas do lançamento e da operação em órbita, incluindo vibrações, vácuo térmico, ruído acústico e compatibilidade eletromagnética.
A empresa Argentina dedicada a testes de satélites fechará suas portas.
Equipamento de ponta para simular o espaço
Tecnologia única no país para validar componentes aeroespaciais.
As instalações da Ceatsa incluem:
- Uma câmara de termovácuo, capaz de atingir pressões 10.000 milhões de vezes inferiores à atmosférica e temperaturas de ±150 °C
- Um sistema de acústica extrema, que submete os equipamentos a 141 decibéis, três vezes o volume de um show de rock
- Um agitador tridimensional, que reproduz as vibrações do lançamento
- Uma câmara anecoica, que permite analisar a autocompatibilidade eletromagnética dos sistemas
Reconversão e uso compartilhado: o futuro das instalações
Segundo porta-vozes da Invap, o fechamento da Ceatsa responde a uma otimização administrativa, e atualmente existe um acordo de uso compartilhado para realizar testes pontuais. No futuro, está previsto alugar as instalações para terceiros, sob um acordo gerido pela Arsat.
Ambas as empresas, de capital estatal, foram incorporadas à Agência de Transformação de Empresas Públicas, dependente do Ministério da Economia, com o objetivo de avaliar processos de privatização.
Aplicações industriais e desafios de sustentabilidade
Embora originalmente pensado para o setor espacial, a Ceatsa também foi projetada para oferecer serviços a indústrias como:
- Telefonia móvel
- Automotiva
- Eletrônica de alta precisão
No entanto, não houve avanços comerciais significativos, e o futuro da fábrica de satélites da Invap também enfrenta incertezas, após o fracasso do protótipo desenvolvido em conjunto com uma empresa turca para o terceiro satélite Arsat.
Um ativo estratégico em risco de ficar ocioso
A falta de novos projetos espaciais coloca em dúvida a continuidade operacional do centro.
A existência de um centro de testes dessa magnitude depende da continuidade na construção de satélites e outros sistemas complexos.
Se não forem desenvolvidos novos projetos, as instalações podem ficar subutilizadas, apesar de sua capacidade para simular condições do espaço profundo.



