Na costa atlântica da Norpatagônia, e particularmente no litoral de Rio Negro, os tubarões desempenham um papel essencial no equilíbrio do ecossistema marinho. No entanto, nas últimas décadas, eles têm enfrentado pressões crescentes vinculadas principalmente à atividade pesqueira.
Diante deste cenário, consolidou-se um modelo de trabalho que articula o conhecimento científico com a experiência de pescadores esportivos e comerciais, gerando informações chave e promovendo práticas mais responsáveis.
Três pilares da estratégia
A abordagem integral se sustenta em:
- Pesquisa: monitoramento e coleta de dados sobre as espécies.
- Educação: instâncias de conscientização para pescadores e comunidades.
- Normativa vigente: devolução obrigatória dos exemplares capturados na pesca esportiva.
Ciência cidadã em ação
O biólogo Lucas Albornoz, integrante do subprograma de Tubarões e Raias na Argentina, destacou o projeto de ciência cidadã Conservar Tubarões na Argentina, que leva mais de 15 anos de desenvolvimento.
- Pescadores esportivos colaboram colocando marcas nos exemplares capturados.
- Foram marcados cerca de 4.000 tubarões em todo o país.
- O monitoramento revelou que entre 70 e 80% dos exemplares capturados são fêmeas, o que aumenta o impacto sobre as populações.
Este trabalho permitiu conhecer os deslocamentos dos tubarões, confirmando que muitas espécies migram para águas do Uruguai, o que impulsiona a necessidade de políticas de conservação regionais.

Normativa e mudança cultural
A lei de pesca esportiva estabelece a devolução obrigatória dos tubarões, sem proibir a atividade. Isso permite sustentar uma prática cultural enraizada de maneira sustentável.
Albornoz destacou a mudança de consciência nos pescadores: “Hoje muitos valorizam mais a experiência, a foto ou o vídeo do que levar o tubarão como troféu. É um processo que leva tempo, mas cada vez há mais compromisso”.
Importância ecológica dos tubarões
Os tubarões na costa de Rio Negro são predadores de topo, fundamentais para:
- Equilíbrio ecológico: regulam populações de espécies intermediárias, evitando a superpopulação e protegendo herbívoros.
- Conservação: leis locais protegem espécies como o escalandrún, bacota, azul, gatopardo, cação e martelo.
- Valor científico: o Golfo San Matías registrou mais de 100 tubarões bacota, permitindo estudos sobre comportamento e abundância.
- Biodiversidade: sua presença indica um oceano próspero e saudável.
A aliança entre cientistas e pescadores em Rio Negro demonstra que a conservação de tubarões é possível mediante a colaboração, a educação e a normativa adequada. Esses grandes peixes, de crescimento lento e reprodução tardia, requerem proteção urgente para garantir sua permanência como reguladores naturais do ecossistema marinho.



